Penélope Cruz falou pela primeira vez sobre as acusações de abuso sexual envolvendo Woody Allen e a filha adoptiva Dylan Farrow.

O caso, alegadamente ocorrido a 4 de agosto de 1992, ressurgiu após o surgimento do movimento #MeToo, quando Dylan reafirmou ter sido violada aos seis anos e questionou o motivo para o realizador ter sido "poupado" na onda dos escândalos sexuais que agitaram Hollywood.

Desde então, vários atores, incluindo Michael Caine, Colin Firth, Kate Winslet, Mira Sorvino, Natalie Portman, Peter Sarsgaard ou Ellen Page, vieram a público mostrar arrependimento e garantir que não voltarão a trabalhar novamente com ele.

A atriz espanhola, que trabalhou com Woody Allen "Vicky Cristina Barcelona" (2008), que lhe valeu o Óscar, e ainda em "Para Roma Com Amor" (2012), ficou no meio termo, avançado que não se tem a certeza do que se passou.

"A única resposta que lhe posso dar recorrendo ao bom senso e que não é sobre uma manchete é que o caso precisa de ser examinado outra vez", disse à revista Vanity Fair.

"O que é importante é que se existir um caso em qualquer parte do mundo que não é claro, então por que não voltar a olhar para ele outra vez? Sou a favor disso", acrescentou.

A Vanity Fair refere ainda que Penélope Cruz disse que não tomaria uma decisão sobre uma nova colaboração até ter mais informações.

"Temos uma coleção de manchetes a dizer que este ator voltaria a trabalhar com ele e este a dizer que não voltaria — isto não muda nada", explicou.

"Isto não acrescenta nada de positivo à situação. É suposto acreditarmos na justiça e isto foi investigado há anos e não é claro. Deveria ser investigado outra vez e nessa altura posso dar uma resposta", concluiu.

Já o marido da atriz, Javier Bardem, disse em abril que não só não estava arrependido de ter feito "Vicky Cristina Barcelona" como achava chocante a forma como o realizador estava a ser tratado.

"Se existissem provas de que Woody Allen era culpado, então sim, teria parado de trabalhar com ele, mas tenho dúvidas", afirmou à revista francesa Paris Match.

"Estou muito chocado com este súbito tratamento. Decisões judiciais nos estados de Nova Iorque e Connecticut deram-no como inocente. A situação legal hoje é a mesmo que em 2007 [aquando da rodagem do filme]", explicou.

O ator refere-se à investigação das autoridades médicas e judiciais do Hospital Yale-New Haven e pelos serviços de proteção infantil do Estado de Nova Iorque, que não encontraram indícios que justificassem avançar com acusações a Woody Allen em 1993.

No domingo, em entrevista ao programa argentino "Periodismo Para Todos", o realizador garantiu que é um grande apoiante do movimento #MeToo e pensa ser positivo que estejam a ser denunciadas as pessoas que estão a assediar mulheres e homens inocentes, mas não aceita ser colocado no mesmo grupo de alegados abusadores.

"Todos queremos que se faça justiça. Se há algo agora como o movimento #MeToo, torcemos por isso, queremos que levem à justiça esses terríveis abusadores, essas pessoas que fazem todas essas coisas terríveis. E acho que isso é uma coisa boa. O que me incomoda é ser associado a eles. Pessoas que foram acusadas por 20, 50, 100 mulheres de abuso e abuso e abuso – e eu, que fui acusado apenas por uma mulher num caso de custódia que foi investigado e provado não ser verdade, sou associado a essas pessoas", explicou.

O entrevistador perguntou então a Allen se tinha molestado a sua filha adotiva.

"Claro que não, é simplesmente de loucos. Isto é algo que foi cuidadosamente investigado há 25 anos por todas as autoridades e todas chegaram à conclusão que não era verdade. E foi o fim e continuei com a minha vida. Isso regressar agora, é uma coisa terrível para se acusar alguém. Sou um homem com uma família e as minhas crianças. Portanto, claro que é perturbador", foi a resposta.

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