Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, explicou que este é um desejo que "dá sequência" a uma estratégia que vem sendo seguida e que assenta em "vários pilares", desde a "reabilitação cultural e desenvolvimento de diversas dinâmicas culturais da cidade, da formação de públicos, valorização de recursos culturais diferenciadores a uma nova era de media artes e produção de inovação" que a cidade atravessa.

Em Braga diz-se que se dá um pontapé numa pedra e se encontra uma ruína Romana ou Medieval. O autarca corrobora a sabedoria popular: "A nossa marca identitária única é a de uma cidade autêntica, com alma e História, por mais que seja uma das mais jovens e inovadoras à escala internacional. É algo incontornável e é nessa simbiose entre tradição e inovação, História e juventude, que temos uma caráter diferenciador até a nível internacional", afirmou Ricardo Rio.

"Afirmamos a nossa dinâmica entre este entrecruzar de recursos que proveem da nossa história, que vamos valorizando, desde a marca romana, a todos os outros períodos da História, e a juntar a tudo isso uma dimensão muito importante que são as parcerias muito intensas, quer do ponto de vista mais próximo, como o Quadrilátero Urbano [associação que congrega as cidades de Braga, Guimarães, Barcelos e Vila Nova de Famalicão], até a um âmbito mais abrangente que é sermos Capital da Cultura do Eixo atlântico este ano", continuou.

Além da História, Braga é ainda identificada por uma "forte marca" religiosa que ao nível do património teve um dos seus momentos altos com a classificação do Santuário do Bom Jesus do Monte como Património da Humanidade pela UNESCO.

"Braga é uma cidade com um conjunto vastíssimo de recursos culturais, umas de caráter material, outros de ativos culturais e equipamentos com dinâmicas muito fortes, uma programação regular muito eclética nos diversos domínios artísticos", completou Rio.

Dos vários passados que se fazem sentir em Braga, o autarca destacou ainda a dinâmica atual que a cidade atravessa: "Temos uma componente que temos vindo a projetar que é o facto de sermos uma cidade criativa da UNESCO nos domínios da media artes e é desta interação entre diferente vertentes, nomeadamente a componente histórica religiosa, que tem um peso preponderante, a dinâmica populacional, cultural e económica que hoje é uma marca da cidade, que temos todas as condições para termos uma candidatura vencedora", considerou.

Questionado sobre o modelo de organização que a candidatura quer, caso venha a ser escolhida, de dinamização da Capital Europeia da Cultura, Ricardo Rio adiantou que "está ainda em aberto" o modelo a seguir.

"Neste momento entendemos que a candidatura devia ser gerida de uma forma mais ou menos internalizada, embora independente, que é através da estrutura do Theatro Circo. No futuro, é uma questão em discussão, que modelo de gestão será mais ajustado para responder aos desafios que um projeto desta envergadura tem, quer ao nível de gestão, quer ao nível financeiro", disse.

Portugal vai acolher em 2027 a Capital Europeia da Cultura, juntamente com uma cidade da Letónia.

Os dois países selecionados são responsáveis pela organização do concurso entre as suas cidades, devendo para isso publicar um convite à apresentação de candidaturas com seis anos de antecedência.

Após a apresentação de candidaturas, que devem focar-se na criação de um programa cultural com dimensão europeia, caberá a cada Estado-membro convocar um júri para uma pré-seleção das cidades candidatas, isto até cinco anos antes.

A decisão final será dos países, devendo ser tomada até quatro anos antes do título.

Além de Braga, já anunciaram que vão apresentar uma candidatura as cidades de Leiria, Faro, Viana do Castelo, Aveiro, Évora, Coimbra, Guarda e Oeiras.

Portugal já recebeu a Capital Europeia da Cultura em três ocasiões: 1994 (Lisboa), 2001 (Porto) e 2012 (Guimarães).

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