"Para atingirmos a verdade, necessitamos de matar o corpo" é a "ideia defendida" por Sócrates em "Fédon", de Platão, que relata os últimos dias do filósofo da Grécia Antiga na prisão e que se centra na ideia socrática de "imortalidade da alma", refere Mickael de Oliveira.

Para o espetáculo do Colectivo 84, que se estreia no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), Mickael de Oliveira pegou na ideia, desenvolveu-a e extremou-a.

O resultado é um "Fédon" reescrito de forma "radical e abusiva", numa interpretação "muito livre" da base da obra de Platão, disse à agência Lusa o encenador e criador do texto para o espetáculo que tem no elenco Albano Jerónimo, Ana Bustorff, Maria Leite, Paulo Pinto e Pedro Lacerda.

"Em ‘Fédon', é defendida a ideia de que, para atingirmos a verdade, necessitamos de matar o corpo. Pego nessa ideia para a extremar um pouco ou bastante e tento alargar essa premissa para que não seja só de Sócrates, mas também de todo o grupo [de amigos que o vai visitar à prisão]", explica Mickael de Oliveira.

O espetáculo, dividido em três cenas, afasta-se de "Fédon", quando Mickael de Oliveira propõe que os amigos que vão visitar Sócrates à prisão, "de repente", dizem que o filósofo tem razão e que querem morrer com ele.

A resposta ao que aconteceria surge na terceira cena do espetáculo e será desenvolvida na segunda parte, que deverá estrear em 2018, conta o encenador.

"Esta ideia de que para alcançar a verdade precisamos de matar o corpo, o nosso corpo, acho que está muito atual. O bombista suicida tem por finalidade libertar-se do corpo ao mesmo tempo que mata outros, em algo que também é uma forma de castigo", nota Mickael de Oliveira.

Tanto no "Fédon", como no Corão ou no 1.º e 2.º Testamentos, o encenador encontra "premissas muito fortes", procurando aqui ter uma visão radicalizada da obra de Platão e testar a forma como as suas ideias podem ser "lidas, deturpadas e tornadas reais", sublinha.

O espetáculo, que vai estar em Coimbra hoje e sexta-feira, é coproduzido pelo São Luiz Teatro Municipal, pelo Teatro Académico de Gil Vicente e pelo Centro Cultural de Vila Flor.

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