A mostra "Amadeo de Souza-Cardoso/Porto Lisboa/2016-1916", que atraiu mais de 40 mil visitantes ao Museu Nacional de Soares dos Reis, no final do ano passado, no Porto, é inaugurada às 19:00 em Lisboa, no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado.

Os dois museus evocam desta forma as exposições realizadas por Amadeo há 100 anos e que provocaram grande escândalo e polémica, sobretudo no Porto, devido à incompreensão da época relativamente às estéticas de vanguarda.

Com curadoria de Marta Soares e Raquel Henriques da Silva, a exposição vai mostrar cerca de 80 obras identificadas a partir dos catálogos originais, com 114 peças expostas há 100 anos.

A apresentação destas obras no Porto e em Lisboa evoca o contexto da vida de Amadeo de Souza-Cardoso, que regressou a Portugal no início da Primeira Guerra Mundial como um pintor reconhecido nos meios da vanguarda, tendo participado em exposições coletivas em Paris, Berlim, Nova Iorque, Chicago, Boston e Londres.

De acordo com um texto das comissárias, a realização dessas exposições em Portugal, no final de 1916, inseriu-se "nessa determinação de afirmação da carreira": a primeira decorreu no Porto, no Jardim Passos Manuel, de 01 a 12 de novembro; a segunda, em Lisboa, na Liga Naval Portuguesa, de 04 a 18 de dezembro.

Há um lado caricato nas exposições realizadas há 100 anos que as comissárias já recordaram no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, pelos relatos da incompreensão por parte do público, que chegou a cuspir nos quadros de Amadeo, mas, ao mesmo tempo, as obras suscitaram um importante debate sobre a arte contemporânea.

"Amadeo de Souza-Cardoso/Porto Lisboa/2016-1916" vai ficar patente ao público no Museu do Chiado até 26 de fevereiro.

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