Na mesma conversa, no âmbito do espetáculo “Ol(h)á Florbela”, que a atriz está a apresentar em palcos de todo o país e que passa por Olhão no sábado, Florbela Queiroz apelou ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa para “pôr o Parque Mayer como ele merece”.

“Ol(h)á Florbela” é produzido por João Nuno e Ricardo Miguel, foi escrito por Flávio Gil, Renato Pino e Marisa Carvalho, é encenada por Isabel Damatta, a música é da autoria de Carlos Dionísio e o elenco é composto por Florbela Queiroz, Vera Mónica, Marisa Carvalho, Raquel Caneca e Gonçalo Brandão.

“Temos tudo o que o público gosta: crítica, humor sério com grande verdade, fado que o povo canta, temos coisas com muita graça e gente muito bonita”, contou Florbela Queiroz à Lusa.

A atriz destaca o quadro sério da revista que fala sobre a nova emigração, a qualidade dos textos e dos colegas assim como o guarda-roupa onde constam cinco fatos das madrinhas das marchas de Lisboa que apelida de “joias”.

"Nas salas onde temos passado vemos muita malta nova. Até crianças que olham para nós e riem-se imenso e batem palmas”, observou vincando que o público jovem volta a ver revista “desde que a revista não caia naquela coisa horrível que é enfim, atualmente, o Parque Mayer”.

A atriz lamenta que o Parque Mayer, que era como a Broadway portuguesa, com vários espetáculos em simultâneo, desde a comédia à revista, das farsas aos dramas, tenha chegado ao estado de degradação em que se encontra hoje.

“Para quem estava habituado a ver cinco teatros a funcionar ao mesmo tempo, cheio de gente e hoje entra e vê ratos, gatos, tudo partido, não há luz e só um teatro a trabalhar. As pessoas ficam muito incomodadas”, comentou.

Apesar de evitar falar sobre política fora de cena, Florbela Queiroz considera que o Parque Mayer e o seu património edificado, histórico e cultural merecem um olhar diferente por parte dos decisores políticos.

“Se fosse presidente da Câmara de Lisboa e fosse um governante de peso eu tratava de pôr o Parque Mayer como ele merece”, concluiu.

Hoje com 73 anos, a atriz diz que quando, aos 14 anos, começou a frequentar o curso de dança clássica e teatro no Conservatório Nacional não pensava que teria a carreira que tem, com um percurso que passou pelos teatros mais conceituados portugueses, pelo cinema, pela televisão e até pela música.

“Comecei pelo chamado teatro sério, é ridículo, mas é assim que lhe chamam, e nunca me passou pela cabeça que a minha carreira durasse tanto tempo”, disse admitindo que ao início tinha dúvidas se estaria a escolher o rumo profissional certo.

A comédia e a revista à portuguesa acabaram por ser as áreas onde se notabilizou e onde continua a “dar cartas” com a revista à portuguesa que vai apresentar este sábado, 21 de janeiro, pelas 21:30, em Olhão, no Algarve.

Florbela Queiroz garante que este não é um projeto de despedida dos palcos.

“Eu nunca paro. Paro quando morrer”, afirmou, admitindo que os aplausos do público quando pisa o palco a impressionam.

Aplausos que pensa serem um misto de carinho e apreço, mas também de força para continuar, até pelos episódios mais complicados da sua vida pessoal que vieram a público.

“O que é fantástico é que nós terminamos o espetáculo e o público não vai embora, fica na sala a aplaudir-nos. Nós aplaudimos o público e depois ainda vamos lá fora fazer ‘selfies’, dar entrevistas e falar”, prosseguiu.

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