A atriz portuguesa Guida Maria morreu esta terça-feira, 2 de janeiro, aos 67 anos vítima de cancro, revelou à Lusa o encenador António Pires. "A atriz faleceu hoje de manhã, tranquilamente durante o sono, após ter sido vítima de doença prolongada", referiu o encenador.

Segundo a TV7 Dias, a atriz lutava contra um cancro no pâncreas há vários meses.

O velório realiza-se esta terça-feira, a partir da 19h00, na Basílica da Estrela, em Lisboa, e o funeral tem lugar na quarta-feira, às 15h00, para o Cemitério dos Prazeres, também na capital.

Nascida em Lisboa, em 1950, Guida Maria fez cinema, ficção em televisão, mas sobretudo teatro, tendo participado em cerca de 40 peças, entre as quais "A mãe", "Auto da geração humana", "A casa de Bernarda Alba" e, possivelmente, uma das mais conhecidas da carreira, "Os Monólogos da Vagina".

Filha do ator Luís Cerqueira, Guida Maria estreou-se aos sete anos na peça "Fogo de Vista", de Ramada Curto, aos dez anos entrou em "A sapateira prodigiosa", da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, ao lado de Eunice Muñoz, e, aos 13, fez sucesso em "O milagre de Anne Sullivan", encenada por Luís de Sttau Monteiro.

Com vários anos de experiência de palco, Guida Maria estudou depois no Conservatório Nacional, ao mesmo tempo em que entrava noutras peças produzidas por Vasco Morgado.

Ainda antes do 25 de Abril de 1974, a atriz entrou em "A promessa", uma adaptação de António de Macedo de uma peça de Bernardo Santareno, na qual protagonizou o primeiro nu integral do cinema português. O filme foi exibido em vários festivais, nomeadamente em Cannes.

Ainda na década de 1970 foi convidada a integrar o Teatro Nacional D. Maria II, onde permaneceu até aos anos 1990, tendo entrado em peças como "O leque de Lady Windermere", "Maria Stuart", "Slag" e "Sherley Valentine", o primeiro de vários monólogos que protagonizou na carreira.

Durante esse período no teatro nacional, Guida Maria fez uma pausa em 1980 e, com uma bolsa de estudos, entrou na American Academy of Dramatic Art, em Nova Iorque, e fez vários 'workshops' na Actors Studio.

Além de "Sherley Valentine", Guida Maria ficou conhecida por outros monólogos como "Andy & Melissa" (2001), "Zelda" (2004), "Stôra Margarida" (2006) e "Sexo? Sim, mas com orgasmo" (2010).

O maior sucesso de carreira, com vários meses em cena e reposições, terá sido a peça "Os monólogos da vagina", de Eve Ensler.

Apesar da sua longa carreira no teatro, a atriz tornou-se conhecida dos portugueses ao participar em novelas e séries de televisão. "Nico D'Obra", "Nós os Ricos", "Super Pai", "Olhos de Água", "Tudo Por Amor", "Morangos Com Açúcar", "Bem-Vindos a Beirais"  e "A Única Mulher" foram alguns dos trabalhos de Guida Maria no pequeno ecrã.

A telenovela brasileira "O bem amado", da TV Globo, a novela portuguesa "Passerelle", as séries "Nico d'Obra" e "Riscos", e os filmes "O barão de altamira", de Artur Semedo, e "No dia dos meus anos", de João Botelho, são outras produções em que participou.

Em 2009, a atriz publicou a sua biografia ("Guida Maria - Uma Vida"). "Uma vida única, cheia de sucessos e insucessos, sempre marcada pela rebeldia e pela resistência. Com a coragem de continuar a ser livre, uma das actrizes mais populares de Portugal abriu mão de uma parte da sua intimidade. Guida Maria é assim mesmo. Generosa, voluntariosa, sensível e determinada", sublinha o autor, Rui Costa Pinto, na sinopse do livro.

Guida Maria era mãe da atriz Julie Sergeant, fruto da relação com o músico Mike Sergeant.

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