A 61ª edição dos Grammy Awards está marcada para a noite deste domingo, dia 10 de fevereiro, no Staples Center, em Los Angeles, nos Estados Unidos, e promete dar que falar. Nos últimos dias, as acusações de Ariana Grande (que cancelou a sua participação) contra o organizador têm gerado polémica.

A cerimónia poderá ser acompanhada em Portugal, na SIC Caras, a partir da uma da manhã. Para se preparar para a entrega de prémios, o SAPO Mag fez uma pequena cábula-resumo para ficar a par de tudo o que vai acontecer.

Grammys lançam plano para incluir mais mulheres na indústria musical

Ao contrário dos Óscares, os Grammys vão ter uma apresentadora: Alicia Keys, vencedora de 15 Grammys Awards, vai estrear-se na condução da gala. “A cerimónia vai celebrar a música e o seu poder. Quero trazer algo diferente para o palco (...) Desta vez, adorava garantir paz e boa energia durante as atuações, para assim sentirmos o verdadeiro poder da música como uma linguagem universal", frisou a artista.

Kendrick Lamar, Drake e Lady Gaga na frente da corrida

Na corrida a oito prémios, Kendrick Lamar é o líder de nomeações para a edição de 2019 dos Grammys.  Já Drake soma sete nomeações, enquanto Brandi Carlile, Jay-Z & Beyoncé e o produtor Boi-1Da  seguem na frente da corrida com seis nomeações cada. Logo atrás segue Cardi B, Lady Gaga, Childish Gambino, Maren Morris e HER.

Gravação do Ano é uma das categorias mais cobiçadas: Cardi B, Bad Bunny & J Balvin, Brandi Carlile, Childish Gambino, Drake, Kendrick Lamar, SZA, Lady Gaga, Bradley Cooper, Zedd, Marren Morris, Grey, Post Malone e 21 Savage são os nomeados.

Cardi B, Brandi Carlile, Drake, H.E.R., Post Malone, Janelle Monáe, Kacey Musgraves e o disco do filme "Black Panther" ("Black Panther: The Album, Music From And Inspired By – Various Artists) correm para o prémio de Álbum do Ano.

LADY GAGA

"All The Stars" (Kendrick Lamar & SZA), "Boo'd Up" (Ella Mai), "God's Plan" (Drake), "In My Blood" (Shawn Mendes), "The Joke" (Brandi Carlile), "The Middle" (Zedd, Maren Morris & Grey), "Shallow" (Lady Gaga & Bradley Cooper) e "This Is America" (Childish Gambino) são os temas nomeados para Canção do Ano.

Conheça aqui todos os nomeados.

Chloe X Halle, Luke Combs, Greta Van Fleet, H.E.R., Dua Lipa, Margo Price, Bebe Rexha e Jorja Smith estão na corrida na categoria de Novo Artista do ano.

Mais nomeados, para responder às críticas

A organização teve em consideração os discos e canções editadas entre 1 de outubro de 2017 e 30 de setembro de 2018. Em junho deste ano, a organização confirmou que os Grammys iriam aumentar o número de nomeados nas principais categorias dos prémios de música, numa iniciativa para enfrentar as críticas pelo escasso número de mulheres e representantes de minorias entre os vencedores.

Numa das maiores mudanças realizadas nos Grammys ao longo dos anos, a Recording Academy, entidade que organiza os prémios, ampliou o número de nomeados de cinco para oito nas quatro principais categorias. Os prémios são Álbum do Ano, Gravação do Ano (que premia uma canção), Canção do Ano (que reconhece a melhor letra) e Melhor Artista Jovem.

Negros, mulheres e política dominam videoclips nomeados

Os Grammy Awards são regularmente acusados de promover artistas homens e brancos. Mas este ano devem escapar dessas críticas graças à categoria de melhor videoclip, em que todos os candidatos são negros e a metade é composta por mulheres.

Os cinco videoclips selecionados pelos organizadores da cerimónia, que será realizada no domingo em Los Angeles, também têm muito a dizer pelas suas reivindicações sociais e políticas. "É o ano de Trump. Há uma necessidade incontrolável de expressão", analisa Carol Vernallis, académica especializada em música da Universidade de Stanford. "Imagino que os artistas negros dos EUA querem estar na linha de frente", continua.

Childish Gambino, alter ego musical do comediante, roteirista e realizador Donald Glover ("Atlanta"), estourou na internet na primavera passada com o seu hino politicamente incendiário, "This is America". Na obra provocadora, o artista denuncia o domínio das armas e do racismo no país com um retrato da vida de muitos negros norte-americanos, entre tiroteios sangrentos e reminiscências da escravidão num contexto de ritmos afrobeat e gospel:

Já Beyoncé e Jay-Z deram que falar ao usar o Museu do Louvre, em Paris, como cenário do videoclip barroco e exuberante de "APESHIT". No vídeo, o casal usa as obras clássicas do Velho Continente para criar uma estética eminentemente moderna e negra.

Janelle Monáe, por outro lado, explora sem pudor novos caminhos gráficos no videoclip de "Pynk", uma ode electropop à bissexualidade. A cantora aparece rodeada de mulheres jovens, vestindo calças largas que lembram vulvas.

Childish Gambino

Assim como Childish Gambino, o vídeo de "I'm Not Racist", de Joyner Lucas, atraiu milhões de espectadores na internet com o seu rap puro que denuncia uns EUA divididos.

O vídeo começa com um homem de barba branca e gorro vermelho de "Make America Great Again", símbolo dos partidários do presidente Donald Trump, fazendo eco a slogans racistas. Mas "eu não sou um racista", defende-se o homem. "O namorado da minha irmã é negro".

Um jovem negro com cabelo rasta responde: "É difícil progredir quando este país está dirigido por brancos/que me julgam pela cor da minha pele".

Em "Mumbo Jumbo", a rapper Tierra Whack cria um mundo da fantasia surrealista e inquietante, o prelúdio de um álbum composto por quinze canções de um minuto cada, chamado "Whack World", parte de um projeto de vanguarda e também um álbum de hip-hop.

Os Grammy premeiam videoclips desde 1984, ano em que a MTV começou a fazer um programa, graças a pioneiros como Michael Jackson e Madonna, que revolucionaram e exploraram o potencial deste formato.

As atuações... sem Ariana Grande

Como é habitual, as atuações durante a cerimónia dos Grammys despertam a curiosidade dos fãs - certamente, muitos festivaleiros gostavam de ter um cartaz idêntico num evento de música. Este ano, Bandi Carlile, Camila Cabello, J Balvin, Young Thug, Ricky Martin, Arturo Sandoval, Cardi B, Dan + Shay, Diana Ross, Dolly Parton, Little Big Town, Maren Morris, Kacey Musgraves, Katy Perry, Linda Perry, Miley Cyrus, H.E.R, Janelle Monáe, Shawn Mendes, Jennifer Lopez, Lady Gaga e Mark Ronson, Dua Lipa e St. Vincent, Travis Scott, Chloe x Halle, Yolanda Adams, Post Malone e os Red Chot Chili Peppers vão subir a palco.

Fantasia e Andra Day também atuar na cerimónia durante a homenagem a Aretha Franklin.

Já Ariana Grande, apresentada como uma das grandes estrelas da noite, cancelou a sua atuação e criticou o produtor dos Grammys por "mentir" sobre a sua decisão se não se apresentar na noite mais importante da indústria musical norte-americana.

Ariana Grande

"Mantive a minha boca fechada mas agora ele está a mentir sobre mim", escreveu a artista no Twitter ao lado de uma captura de ecrã do artigo da agência Associated Press com as declarações de Ehrilich.

"Posso preparar uma atuação da noite para o dia e você sabe disso, Ken. Foi quando você sufocou a minha criatividade e expressão pessoal que decidi não comparecer", acrescentou. "Espero que a cerimónia seja exatamente o que você queria que fosse e mais. <3".

Grande, de 26 anos, sublinhou que "ofereceu três canções" antes de decidir cancelar a sua participação.

"Trata-se de colaboração, de me sentir apoiada, de arte e honestidade, não de política, não de fazer favores ou de jogar", indicou. "É só um jogo... e sinto muito, isso não é o que a música significa para mim".

Imagens da cantora aparecem em outdoors de Los Angeles de promoção aos Grammys, cuja cerimónia decorre na noite deste domingo.

Grande está nomeada em duas categorias pop: o seu álbum "Sweetener" aspira ao prémio de Melhor álbum vocal de pop, enquanto "God is a Woman" concorre a Melhor performance pop solo.

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