Numa peça que explora temas como a infelicidade, a falta de sentido da vida, o materialismo, a luta de classes, entre outros, o encenador Bruno Bravo contou à Lusa que ambiciona ter conseguido com este espetáculo “desocultar o fantasma do texto” e “iluminar esta peça do Strindberg”, que considera muito particular, por ser uma composição dramática onde se pretende “materializar um sonho”.

“Não sonho no sentido de desejo ou ambição, não é um sonho acordado, é mesmo um sonho noturno”, explica Bruno Bravo à margem do ensaio de imprensa, acrescentado que a peça é “muito moderna” e tem um “tom surrealista próprio dos sonhos”, onde as “mães ainda estão vivas, os pais ainda estão vivos, apesar de estarem mortos, em que o próprio corpo de quem sonha é velho, depois novo, depois de meia-idade”.

O encenador destaca também a beleza da peça pela sua humanidade e por abordar aspetos do quotidiano.

“O que é muito bonito nesta peça é que, apesar deste aspeto mais surrealista do sonho (…), um pouco ligada ao teatro moderno, é uma história muito humana” que fala nos aspetos mais comuns do quotidiano e de temas que nos dizem respeito a todos, e o público vai ter essa empatia ou reconhecimento dessas personagens que vão habitar esta história.

A peça começa com um aspeto metafísico que é a filha do deus Indra (divindade do hinduísmo) a descer à Terra para melhor conhecer a humanidade.

“Tem a curiosidade de conhecer como é a vida na Terra, como é a vida dos humanos. E no fundo a peça é o percurso dela, ela faz um percurso que não tem tempo, portanto, é um percurso que pode demorar 10, 20 30 anos, um século, e vai passando por uma série de pequenas histórias de pequenos quadros, de pequenas situações do quotidiano”, explica Bruno Bravo, referindo que fala de amores, desamores, frustrações, questões relacionadas com a infância, tudo temas “muito comuns e muito transversais ao ser humano".

A peça tem oito atores em palco que fazem perto de 30 personagens diferentes.

“A própria peça defende isso, ou seja, o próprio Strindberg faz uma introdução, mesmo à peça que ele escreveu, em que sugere que a circulação de atores e personagens pode variar. E como se trata de um sonho, vamos ter atores a fazer mais do que uma personagem. Isso é absolutamente obrigatório”, explicou o encenador, referindo que os figurinos mudam, os personagens são diferentes, mas a cara dos atores é a mesma e isso nunca se esconde.

A cara dos atores é a mesma precisamente para dar uma “hipótese de sonho” em que podem ser mais do que um.

“Posso de repente sonhar que sou outra coisa. Pode haver aspetos da minha vida que num sonho são representados de um forma, e noutro sonho são representados de outra forma e acho que nesta peça não faz muita diferença, ou seja, faz parte do próprio espetáculo e da própria dramaturgia cénica este cruzamento”

Esta quinta-feira, dia 7 de dezembro, o TNSJ estreia a sua mais recente produção própria, que conta com a direção de um encenador convidado. Bruno Bravo encena "Um Sonho", "uma das mais revolucionárias obras do sueco August Strindberg", como se lê na apresentação da obra.

"Um Sonho" fica em cena até ao dia 22 de dezembro, regressando ao palco do São João entre 6 e 14 de janeiro.

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