Esta é a ideia de "Oslo", obra de J.T. Rogers coroada no passado domingo à noite em Nova Iorque como melhor obra da temporada na cerimónia dos Tony Awards, equivalentes aos Óscares na Broadway.

Depois de um ano nos palcos nova-iorquinos, a peça irá para Londres em setembro e terá uma adaptação ao cinema depois de Marc Platt, produtor de "La La Land - Melodia de Amor" ter pegado no projeto.

Para J.T. Rogers, um norte-americano de 48 anos, não se trata da primeira trama geopolítica: em 2010, ele escreveu sobre um agente da CIA confrontado com a situação no Afeganistão e em 2006 dedicou-se ao genocídio do Ruanda, embora nenhuma das duas obras tenha chegado à Broadway.

"Oslo" começou a triunfar na Off Broadway, o circuito nova-iorquino de teatro independente, em julho de 2016. E quase um ano depois, em abril de 2017, foi levada ao grande palco: o teatro Vivian Beaumont, com 1200 lugares, no Lincoln Center.

"Aos homens e às mulheres dos acordos de Oslo que acreditaram na paz, que os seus inimigos eram humanos, esta recompensa é para eles!", disse Rogers ao receber o prémio.

A ideia de teatralizar estas negociações de 1993 que duraram nove meses surgiu quando conheceu o diplomata norueguês Terje Rod-Larsen, que foi ver uma das suas obras, em dezembro de 2002. Este político foi, juntamente com a sua mulher, Mona Juul, o principal facilitador dos diálogos de Oslo.

"Fomos beber um copo" num restaurante em frente ao Lincoln Center, relata Rogers no prefácio da obra. "Ele contou-me o que fez para chegar aos Acordos de Oslo", uma sequência "quase desconhecida", já que a história só conserva o epílogo com a cerimónia de assinatura dos acordos e o aperto de mãos entre o primeiro-ministro israelita Yitzhak Rabin e o líder palestiniano Yasser Arafat nos jardins da Casa Branca.

Nova Iorque, com a sua importante comunidade judaica progressista, é uma das cidades do mundo onde as pessoas mais se apaixonam pelo conflito israelo-palestiniano: muitos espectadores riram-se dos negociadores, divididos entre as suas posturas de princípios e a descoberta de afinidades - como o gosto unânime pelos waffles que a cozinheira norueguesa preparava.

"Há uma fuga de informação" 

Os espectadores também pareciam dispostos a rir dos norte-americanos e de sua distância nestas conversas, supostamente secretas. "Há uma fuga de informação", diz a certa altura Mona Juul - interpretada pela atriz Jennifer Ehle: "a Agência France-Presse anuncia que há diálogos em Oslo!".

O sucesso de "Oslo", elogiada pela imprensa norte-americana e nomeada noutras seis categorias, tem que ver com o facto de a obra não se preocupar com a complexidade destas discussões.

A praça de Jerusalém e as prerrogativas atribuídas à Autoridade Palestina são apenas esboçadas na peça, na qual projetam imagens de arquivo da violência em terra durante as negociações.

"É a MINHA versão da história", "os diálogos são meus", "a cronologia foi condensada", assinalou Rogers.

A encenação de Bartlett Sher valoriza as interpretações dos 14 atores que revelam as emoções, as ambições e a empatia crescente que une os protagonistas israelitas, palestinianos e os seus padrinhos noruegueses (Jennifer Ehle e Jefferson Mays, nomeados para melhor atriz e melhor ator, respetivamente).

Alguns são personagens coloridas, como Michael Aronov, que interpreta o excêntrico responsável do Ministério israelita das Relações Exteriores, Uri Savir, e que venceu o prémio de melhor ator secundário; ou Daniel Oreskes, que interpreta duas personagens: o professor israelita enviado a título não oficial por Israel para essas negociações e Shimon Peres na última fase dos diálogos com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

No lado palestiniano, Anthony Azizi encarna um "ministro" das Finanças da OLP particularmente encantador e criativo para conseguir alcançar a paz.

A cerimónia da Casa Branca permanece distante, mas ao longo de três horas, "Oslo" dá aos espectadores a impressão de que a paz está ao alcance dos homens.

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