A câmara do estreante Fulvio Risuleo começa no céu e vai parar na cave – mais precisamente no quotidiano pachorrento de três jovens trabalhadores de uma pastelaria. Mas eles têm direito a um cigarro no telhado. Do tédio para uma conversa pertinente: “Eles não têm exército na Costa Rica?”

Diz um deles (Cristian di Sante): “Ora, aí está um lugar que eu gostaria de viver… cheio de gente positiva e sorridente… nada como isto aqui. Nem é preciso trabalhar, pode viver-se da pesca… gastar o tempo na praia a beber água de coco…”. Ainda, segundo ele, "é um lugar tão bom que as florestas estão cheias de animais que podem correr livremente…"

Que as coisas sejam assim tão boas na Costa Rica é algo que se pode discutir – facto aqui é que um certo “european way of life” pode ser bem desinteressante e opressor. E como só a curiosidade salva, quando uma estranhíssima gaivota anda a planar por ali, Teco (Giacomo Ferrara) empreende a sua jornada pelos telhados das maravilhas e aceita com naturalidade freiras misteriosas que colecionam pedaços de corpos mumificados, crianças mascaradas a construir um foguete, eremitas debaixo de escadas, praticantes de “nudismo urbano” (!) e até um romance, literalmente, caído “do céu”. Estava tudo ali, nos telhados de Roma – era só uma questão de perspetiva.

Com uma declaração de intenções explícita (“há coisas no mundo que não fazem nenhum sentido, precisamos de viajantes”), Fulvio Risuleo investe no “realismo fantástico”, onde uma nova ordem de realidade é criada sem nenhum sobressalto para os envolvidos. Uma proposta muito ao gosto do Festival de Roterdão, onde fez sua estreia na secção Bright Future há dois meses.

"Guarda in Alto" é exibido na 11ª Festa do Cinema Italiano a 5 de abril às 19h00 no Cinema S. Jorge.

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