O documentário “Alcindo”, de Miguel Dores, que parte da história do homicídio de Alcindo Monteiro para falar sobre racismo em Portugal, venceu o grande prémio do festival Caminhos. A obra aborda a morte de Alcindo Monteiro, português de origem cabo-verdiana, vítima de ódio racial em 1995, numa obra que em vez de se centrar na violência neo-nazi procura “ser uma homenagem àqueles que resistem e àqueles que caem”, explicou o antropólogo à Lusa em maio deste ano.

“Na Venezuela, com a tradição e uma comunidade portuguesa tão ampla, não há divulgação do cinema português, vê-se mais o cinema de países mais próximos, como o Brasil, mas Portugal é que tem uma maior população (no país)”, disse o diretor do 3.º Festival da Crítica Cinematográfica de Caracas.

Edgar Rocca explicou que “não há divulgação (local) do cinema português, apesar de ser um cinema com presença nos principais festivais internacionais (…) se exibe em outros países mas não chega à América Latina”.

“Desde o nosso espaço, desde o Festival da Crítica e como distribuidor independente, faço um apelo à aproximação, porque há aqui um mercado aberto a receber estas obras, mas infelizmente não as vemos, não as recebemos, não temos uma relação com o mercado português para saber quais as empresas que comercializam ou que têm os direitos sobre estes filmes”, explicou o cineasta.

Segundo Edgar Rocca, “o primeiro passo já está dado”, com a inclusão de um filme português no festival e por isso insistiu em convidar a comunidade portuguesa da Venezuela acudir a ver “A visita e um jardim secreto”.

No festival, que teve início a 28 de novembro e termina hoje, foram exibidas 10 longa-metragens e 22 curta-metragens de 10 países, desde animação a documentários e filmes de ficção.

“De Portugal convidámos o filme luso-espanhol ‘A visita e um jardim secreto’ da diretora espanhola Irene Borrego, coproduzido pela produtora portuguesa Cedro Plátano, que foi premiado no Festival de Málaga”, explicou.

Edgar Rocca sublinhou estar feliz de poder exibir este filme luso-espanhol, “que fala do esquecimento, sobre o efémero da fama, da arte, do trabalho e do ‘duro’ que é a velhice, conviver com um passado que foi luminoso em um presente que não o é tanto”.

“Os festivais levam aos cinemas filmes que não se podem em outro momento, porque não chegam comerciante”, frisou.

Por outro lado, Maria Helena Freitas diretora do “Circuito Gran Cine” explicou à Agência Lusa que Portugal é um dos países que participam no 4.º Festival Internacional de Cinema de Direitos Humanos – Miradas Diversas.

Também que durante o festival vai ser exibido o filme português “Alcindo), do tipo documentário, dirigido por Miguel Dores e produzido por Miguel Dores, que decorre no passado, “em 10 de Junho de 1995” quando “para celebrar o Dia de Colombo e a vitória do Sporting na taça de futebol e a vitória do Sporting na taça portuguesa de futebol, um grupo de etno-nacionalistas portugueses tomaram as ruas do Bairro Alto (Lisboa) para espancar os negros”.

“Indiretamente, a embaixada de Portugal está a participar, ao fazer parte da União Europeia”, disse precisando que o festival conta com o apoio de organizações como Movies That Matter, People in Meed, do Programa Venezuela de Ação e Educação em Direitos Humanos (Provea) e da União Europeia”, disse.

Sobre o tema central do festival, explicou que aborda os direitos humanos como direitos fundamentais para o ser humano.

“Os direitos humanos são universais e tempos que começar a falar livremente deles, do que são, para que servem, como defendê-los e promovê-los no nosso país e não só. Miradas Diversas é um festival que propõe a liberdade de falar sobre esta questão na Venezuela e no mundo, porque estes direitos são universais, são para todos”, frisou.

O 4.º Festival Internacional de Cinema de Direitos Humanos – Miradas Diversas, decorre entre 1 e 11 de dezembro e participam 12 longa-metragens e 24 curtas-metragens.

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