Oscarizada pelo guarda-roupa de "Quarto com Vista sobre a Cidade" (1985) e "Mad Max: Estrada da Fúria" (2015), Jenny Beavan começou a trabalhar em cinema no final dos anos 1970, com o realizador James Ivory, e tem mantido um percurso regular e elogiado numa carreira que já compreende seis décadas.

Depois do recente "Dolittle" (2020), a designer de moda fez parte da equipa de "Cruella", filme que recua às origens de uma das vilãs mais icónicas da Disney. Cruella de Vil foi memorável em "Os 101 Dálmatas" (1961), regressou numa versão igualmente emblemática em imagem real, encarnada por Glenn Close, em duas adaptações (em 1996 e 2000), e surge agora pela primeira vez numa versão jovem, na pele de Emma Stone.

Jenny Beavan
créditos: Lusa

Ambientada na Londres dos anos 1970, durante os primeiros dias do movimento punk, o ação acompanha uma jovem vigarista chamada Estella (a futura Cruella) e o seu contacto com a Baronesa von Hellman, uma referência da moda.

De Estella a Cruella

"O argumento tem uma narrativa muito clara. É a história de duas rivais. A baronesa é uma ótima designer, sem dúvida, mas já está fora do seu tempo, está fora de moda, ainda que provavelmente continue a ser muito apelativa para mulheres mais velhas. E a Cruella é totalmente o oposto, uma rebelde que vem de um meio familiar conturbado, com muita atitude e uma grande paixão pela moda, roupa, design e combinações de elementos", avança Jenny Beavan num encontro virtual com a imprensa internacional no qual o SAPO Mag esteve presente.

"O arco dela é maravilhoso e a inspiração começa com as roupas da mãe, quando ainda era criança. A mistura que ela faz era muito habitual nos anos 1970, com indumentária militar, ganga, minissaias. Gostei muito de retomar as memórias desses tempos", assinala a septuagenária, sublinhando a influência de nomes como Vivienne Westwood, Galliano ou a cantora punk Nina Hagen nas dezenas de figurinos escolhidos para a protagonista.

Cruella

"Todos temos influências, todos olhamos para o passado, mas o que não podemos fazer é plagiar", realça. "Sou muito instintiva, sou rápida a escolher uma cor que acho apropriada de acordo com o contexto. As personagens pareceram-me muito evidentes quando li o argumento, não tive dúvidas".

A designer de moda defende que as peças que cria "não são só fatos, como a Marvel parece fazer. Têm todos um propósito, um fundamento, uma história do que está por detrás destas pessoas".

Se o argumento lhe trouxe ideias de forma imediata, as atrizes com que trabalhou facilitaram ainda mais o processo. "Já trabalho com a Emma Thompson há muito tempo, desde os anos 1980. Continua com uma ótima figura e esteve sempre à vontade para me dizer quando não se sentia confortável com alguma coisa - ainda que muito raramente o tenha feito. Adoro trabalhar com ela". Beavan diz que o guarda-roupa "rebelde e fabuloso" de Cruella tem sobretudo raízes nos anos 1970, mas para o da rival partiu da década anterior ou até de períodos mais remotos. Maria Antonieta e edições da Vogue dos anos 1960 deram o mote à imagem da Baronesa von Hellman.

Chegou o trailer de

"A outra Emma, que eu não conhecia, é a Emma Stone, que se revelou uma pessoa maravilhosa. Adorei vê-la experimentar as nossas propostas, era sempre fabulosa e mudava de postura escolha a escolha. Mas não me pediu nada específico e fomos falando de quais seriam as melhores opções das sugestões", recorda.

"Nem uma nem outra tentaram influenciar o meu processo criativo nem rejeitaram nenhuma proposta. Tiveram sempre disponibilidade para experimentar tudo", sublinha.

Outra das grandes inspirações para o guarda-roupa das atrizes é mais direta: o seu próprio quotidiano, assinala, como já acontecia quando faltava às aulas para trabalhar em companhias de teatro britânicas, nos anos 1960, numa fase que compara à rebeldia da protagonista. "Adoro observar pessoas na rua. Há roupas que uso nos filmes inspirados nas que vi na rua e as pessoas não acreditam".

Trailer de "Cruella":

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