"Synonyms" foi distinguido com Urso de Ouro, o prémio máximo do Festival de Cinema de Berlim.

O filme de Nadav Lapid, em grande parte autobiográfico e sexualmente explícito, conta a história de um israelita que se muda para Paris para escapar da situação política no seu país.

Esta co-produção entre Israel, França e Alemanha era uma das favoritas da crítica especializada na Berlinale, convencida pelo seu tom original, a sua reflexão sobre identidade e a interpretação do protagonista, Tom Mercier, que se estreou com a produção.

"Este filme poderia ser definido como um escândalo em Israel. Mas na França algumas pessoas também poderão escandalizar-se. Mas, para mim, este filme é uma grande celebração", disse, emocionado, o realizador ao receber o troféu.

Nadav Lapid é já um dos nomes grandes do atual cinema israelita: também foram premiados em vários festivais os seus dois primeiros filmes, "O Polícia" (2011), que chegou a Portugal, e "Haganenet" (2014), que originou uma versão americana, "A Educadora de Infância", com Maggie Gyllenhaal, que estreou em Portugal no início de janeiro.

Ausente do palmarés ficou Portugal, que estava na corrida aos prémios das curtas-metragens com "Past Perfect", de Jorge Jácome, a mesma secção onde, nos últimos sete anos, o cinema português foi premiado por três vezes, com filmes de João Salaviza, Leonor Teles e Diogo Costa Amarante.

Os prémios foram entregues ao início desta noite na capital alemã, ao cair do pano da 69ª edição por um júri presidido pelo atriz francesa Juliette Binoche e que incluia o crítico norte-americano Justin Chang, a atriz alemã Sandra Hüller, o realizado chileno Sebastián Lelio, o curador americano do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque Rajendra Roy e a atriz, produtora e realizadora britânica Trudie Styler.

Para o outro grande favorito ao Urso de Ouro, o chinês "So long, my son", de Wang Xiaoshuai, ficaram os prémios para Melhor Ator e Atriz, Wang Jingchun e Yong Mei.

Trata-se de um drama alegórico sobre duas famílias cujos destinos se cruzam durante 30 anos de mudanças radicais no seu país, centrado na dor e dilemas morais, que é descrito como uma crítica mordaz à política de filho único na China, recentemente abandonada, e os efeitos dolorosos da mudança desenfreada para o capitalismo na década de 1980 e início de 1990.

So long, my son

A segunda distinção do palmarés, o Urso de Prata Grande Prémio do Júri, foi para o controverso "Grâce à Dieu" [Graças a Deus], do realizador francês François Ozon, que descreveu o seu trabalho como uma "ficção baseada em factos reais" à volta do escândalo no seio da Igreja Católica da França com antigos escuteiros que sofreram abusos de um padre pedófilo, Bernard Preynat.

Uma associação contabilizou 85 vítimas do padre, acusado em janeiro de 2016 por agressão sexual, que poderá ser julgado ainda este ano.

O tema é bastante atual na França, onde desde janeiro decorre em Lyon o julgamento do cardeal Philippe Barbarin, arcebispo da cidade, e de outras cinco pessoas por não denunciarem agressões sexuais pedófilas. A sentença está prevista para 7 de março.

Um dos seus advogados entrou com uma ação na justiça para adiar a estreia do filme com Melvil Poupaud e Denis Ménochet no país, marcada para 20 de fevereiro, para depois do julgamento.

"Este filme tenta romper o silêncio das instituições poderosas", disse Ozon, ironicamente agradecendo a Deus pelo prémio.

A 69ª Berlinale tinha na corrida filmes de sete mulheres cineastas, um número recorde, e duas foram distinguidas, ambas da Alemanha: Nora Fingscheidt viu "Systemsprenger" receber o terceiro prémio do festival, o Urso de Prata Prémio Alfred Bauer, e Angela Schanelec o Urso de Prata pela realização de "Ich war zuhause, aber".

PRINCIPAL PALMARÉS

Urso de Ouro para Melhor Filme
"Synonymes", de Nadav Lapid

Urso de Prata Grande Prémio do Júri
"Grâce à Dieu" (By the Grace of God), de François Ozon

Urso de Prata Prémio Alfred Bauer
"Systemsprenger" (System Crasher), de Nora Fingscheidt

Urso de Prata para Melhor Realização
Angela Schanelec por "Ich war zuhause, aber" (I Was at Home, But)

Urso de Prata para Melhor Atriz
Yong Mei por "Di jui tian chang" (So Long, My Son).

Urso de Prata para Melhor Ator
Wang Jingchun por "Di jui tian chang" (So Long, My Son)

Urso de Prata para Melhor Argumento
"La paranza dei bambini" (Piranhas), de Maurizio Barucci, Claudio Giovannesi & Roberto Saviano

Urso de Prata para Extraordinária Contribuição Artística
Para Rasmus Videbæk pela fotografia em "Ut og stjæle hester" ("Out Stealing Horses"), de Hans Petter Moland

Documentário Original
"Talking About Trees", de Suhaib Gasmelbari

Melhor Primeiro Filme
"Oray", de Mehmet Akif Büyükatalay

Urso de Ouro para Melhor Curta-Metragem
"Umbra", de Florian Fischer e Johannes Krell

Urso de Prata Prémio do Júri (Curta-Metragem)
"Blue Boy", de Manuel Abramovich

Prémio Audi para Curta
"Rise", de Bárbara Wagner e Benjamin DeBurca

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