O festival Queer Porto, que começa no dia 12, terá um novo prémio para distinguir o cinema queer português, e uma seleção de filmes que representam "um ato de resistência", foi hoje anunciado.

O festival Queer Porto cumpre a sétima edição e, tal como outros festivais de cinema afetados pela pandemia da covid-19, volta a ter programação com público em sala, cumprindo o objetivo de "trabalhar com vários espaços da cidade", nomeadamente o Teatro Rivoli e o espaço Maus Hábitos.

Uma das novidades desta edição é a criação de um novo prémio, intitulado "Casa Comum" - que se junta à competição oficial e à competição de curtas de escolas - e que vai distinguir exclusivamente o cinema queer nacional.

Abre-se assim espaço no Porto "ao importante trabalho de realizadorxs nacionais e a filmes que nos trazem uma nova luz a um conjunto de histórias, vivências, problemáticas, ligadas às vidas e cultura queer", afirma o diretor do festival, João Ferreira, na programação.

São nove filmes, todos eles curtas-metragens, selecionados para esta nova competição: "Errar a noite", de Flávio Gonçalves, "O berloque vermelho", de André Murraças, "Películas", de Tiago Resende, "Geografia do amor: Vol 1.", de Diego Bragà, "Naufrágio", de Sebastião Varela, "Monólogo para um monstro", de Pedro Barateiro, e "O teu nome é", de Paulo Patrício.

"Tracing Utopia", de Catarina Sousa e Nick Tyson, "A mordida", de Pedro Neves Marques, já exibidos em vários festivais estrangeiros, também integram a competição.

A propósito ainda do contexto pandémico, com "efeitos devastadores" na sociedade e na produção cinematográfica, João Fereira recorda que "muito do cinema que compõe a competição e as secções não competitivas do Queer Porto é fruto de um ato de resistência".

"Mais do que nunca, urge dar a ver o trabalho de cineastas que combateram as barreiras da produção e distribuição e conseguiram chegar aos seus espectadores", justificou.

O Queer Porto abrirá com o documentário "Socks on fire", de Bo McGuire, descrito como "uma carta cinematográfica de amor à sua avó".

O encerramento, no dia 16, será com "Au coeur du bois", de Claus Drexel.

A organização destaca ainda a presença no Porto da realizadora alemã Monika Treut, "nome incontornável do novo cinema queer na Europa desde a década de 1980", e que apresentará o documentário "Genderation", selecionado para a competição oficial.

Além dos festivais Queer Lisboa e Queer Porto, a organização criou este ano um projeto de itinerância, que começa em novembro e se estenderá até à próxima primavera, para "levar a experiência dos festivais a várias localidades do país".

"Este projeto tem como objetivo descentralizar o debate sobre as questões LGBTQI+ e dar a conhecer a um público mais alargado algum do melhor cinema que integra a programação dos festivais de Lisboa e Porto", explicou a direção.

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