O Grande Prémio da 63ª edição do Festival de Cinema de Berlim foi para o drama político e social romeno «Child's Pose», realizado por Cálin Peter Netzer (na foto, com a produtora Ada Solomon), sobre uma mulher de meia idade que faz tudo para inocentar o filho que atropelou e matou uma criança por dirigir em alta velocidade. Ao longo de dez dias, a Berlinale exibiu cerca de 400 filmes, grande parte dos quais em estreia mundial, mas apenas uma vintena disputou o prémio máximo, o Urso de Ouro.

Os novos filmes do iraniano Jafar Panahi, cineasta impedido de sair do Irão, e dos norte-americanos Steven Soderbergh, «Efeitos Secundários», e Gus Van Sant, «Terra Prometida», foram produções que marcaram esta edição, recebendo este último uma menção especial.

O Urso de Prata foi para o norte-americano com David Gordon Green pelo filme «Prince Avalanche», dos Estados Unidos. O troféu de Melhor Atriz foi para a chilena Paloma García por «Gloria» e o de Melhor Ator foi para Nazif Mujic, pela co-produção bósnia, francesa e eslovaca «An Episode in The Life of an Iron Picker»

O prémio de Melhor Argumento foi para o ausente Jafar Panahi, pelo filme persa «Pardé» e o galardão de Melhor Curta-Metragem foi para «The Runaway», do cineasta francês Jean-Bernard Marlin.

Mais um prémio para Portugal

O realizador português João Viana recebeu uma menção de honra na gala de entrega dos prémios do Festival de Cinema de Berlim, pela sua longa-metragem «A Batalha de Tabatô».

Na altura do anúncio, o júri do festival reconheceu o grande trabalho feito pelo realizador em torno de uma aldeia Mandinga. «É um grande filme de João Viana sobre a Guiné-Bissau, pelo qual estamos muito gratos», afirmou um dos jurados na altura do reconhecimento do filme.

O realizador João Viana contou com uma presença em duplicado no evento, porque foram selecionados para o festival «Tabatô», curta-metragem que estava na corrida pelo Urso de Ouro, e a longa-metragem «A batalha de Tabatô», que integrou a secção Fórum.

Dias antes num encontro em Berlim promovido pelo Instituto Ibero-Americano e pelo magazine Berlinda, o realizador que nasceu em Angola há 46 anos, disse que «estando em Berlim pode ser um passe de entrada para outros festivais que vão acontecer ao longo do ano».

Já em entrevista à Lusa durante o lançamento dos seus filmes em Berlim, João Viana disse que «este é o primeiro festival do ano o que tem um grande impacto ao longo de 2013». Salientando que o principal feito de estar presente na competição é a «possibilidade dos filmes poderem dar 10 voltas ao mundo e serem comprados em diversos países».

Além dos dois filmes de João Viana, estiveram ainda presentes no festival «Terra de Ninguém», de Salomé Lamas, «Um Fim do Mundo», de Pedro Pinho e a coprodução internacional, rodada em Lisboa, «Comboio noturno para Lisboa», de Bille August.

De acordo com a organização, o evento contou com a maior participação de sempre de filmes e também de espetadores, com mais de 400 filmes vistos por cerca de 300 mil pessoas.