A empresa cinematográfica Cinemundo vai passar a distribuir, nos cinemas portugueses, a partir de julho, o catálogo de filmes da norte-americana Warner Bros, anteriormente detido pela NOS Audiovisuais, foi hoje anunciado.

Com o contrato firmado com a distribuidora norte-americana Warner Bros, a Cinemundo assegurará a distribuição, nos cinemas, de filmes como "Space Jam 2" (15 de julho), "The Suicide Squad" (5 de agosto), "Dune" (16 de setembro) e a quarta longa-metragem da série "Matrix" (16 de dezembro).

A alteração afeta a NOS, anteriormente Zon Lusomundo Audiovisuais e Lusomundo, que domina o mercado desde o final dos anos 1980 e lançava os filmes da Warner desde 2014, quando a distribuidora Columbia Tristar Warner encerrou o seu escritório em Portugal após décadas de funcionamento, por questões de "rendibilidade" e de "quebras no mercado".

O mercado de distribuição em Portugal já tinha passado por outra mudança história quando a Cinemundo, a operar em Portugal desde 2014, anunciou em 2020 que também passaria a deter os direitos de distribuição em Portugal do catálogo da Universal Pictures, que também pertencia há muitos anos à NOS, mas a pandemia fez adiar várias estreias para este ano.

São os casos de "Velocidade Furiosa 9", que chegará aos cinemas portugueses a 24 de junho, ou o segundo filme de animação "Os Croods", a 1 de julho.

Estão ainda previstas as estreias de "Old", de M. Nigh Shyamalan, a 22 de julho, as animações "Boss Baby" (30 de setembro) e "Sing 2" (2 de dezembro), e ainda "Downton Abbey 2" (23 de dezembro).

"Qualquer um dos catálogos tem filmes de todos os géneros, é versátil em relação a públicos, chegando ao 'target' famílias, adolescentes, adultos, e não vai desvirtuar o perfil da Cinemundo, que vai continuar a apostar em cinema independente e em cinema português", disse à agência Lusa o diretor-geral da Cinemundo, Nuno Gonçalves.

A Cinemundo tem ainda outro objetivo traçado, segundo Nuno Gonçalves: "Com o catálogo da Universal Pictures e da Warner Bros queremos discutir o primeiro lugar" do mercado da distribuição cinematográfica com a NOS Audiovisuais.

Segundo dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), em 2020, a Cinemundo foi a terceira maior distribuidora cinematográfica, com 1,9 milhões de euros (ME) de receita de bilheteira e 356 mil espectadores, num ano considerado atípico por causa da pandemia da covid-19, que levou a quebras de 75% tanto em audiência como em receitas em todo o panorama de exibição.

No primeiro ano de atividade efetiva, em 2015, a Cinemundo registou cerca de 114 mil espectadores.

A NOS Audiovisuais, líder do mercado da distribuição cinematográfica, registou em 2020, ano de pandemia, 10,4ME e 1,9 milhões de espectadores. Em 2019, pré-pandemia, somou 59ME de receita bruta de bilheteira e 10,9 milhões de espectadores.

A Big Picture 2 Filmes, empresa associada do grupo NOS, é a segunda maior distribuidora cinematográfica, tendo obtido 12,6ME de bilheteira em 2019 e 4,6 ME em 2020.

Segundo o ICA, em 2020, a NOS Audiovisuais era detentora dos direitos de distribuição dos catálogos da Warner Bros, da MGM, da Disney e da Paramount, todos de distribuidoras norte-americanas, enquanto a Big Picture 2 Films distribuia os filmes da Sony Pictures e da 20th Century Fox.

A Cinemundo, que conta atualmente com 16 trabalhadores, foi criada em 2014, distribui cinema no mercado português e nos países africanos de Língua Oficial Portuguesa e detém também os canais televisivos Cinemundo e DStv Pipoca, integralmente falado em português.

Segundo Nuno Gonçalves, a entrada dos catálogos da Warner Bros e da Universal Pictures na Cinemundo não alterará a política da empresa no segmento dos canais televisivos.

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