O realizador luso-descendente Ruben Alves diz que o seu novo filme é sobre a liberdade para se ser quem se é, inspirando-se na história verídica do ator principal, Alexandre Wetter, modelo andrógino que desfila roupas femininas e masculinas.

"Este filme é sobre identidade, é sobre a tolerância, a liberdade de ser quem somos. De escolher o nosso percurso até nos encontrar", afirmou o realizador de “Miss” em declarações à agência Lusa.

Sete anos depois de "A Gaiola Dourada”, Ruben Alves está de volta à realização de ficção, mas com um tema bastante diferente. "Miss", que viu a estreia em França adiada para setembro devido ao surto do novo coronavírus e não tem data oficial para Portugal, conta a história de Alex, um menino que tem o sonho de ser Miss França e as peripécias até lá chegar.

"Há pessoas à volta de mim que mudaram de género e eu acompanhei isso. Então tinha isso há algum tempo que queria falar, mas não tinha a história e, depois, quando encontrei o Alexandre [Wetter], fiquei espantado com a luz desta personagem", contou Alves que também escreveu o guião em parceria com Elodie Namer.

Esta é a primeira longa-metragem para Alexandre Wetter, modelo masculino que já desfilou roupas femininas para criadores como Jean-Paul Gaultier. Para Wetter, o género com que se apresenta é um jogo, rejeitando qualquer tipo de rótulos.

Miss (2020)

"Neste momento, tenho o cabelo curto e apresento-me assim. Amanhã posso usar um bocado de maquilhagem. É um jogo que tenho vindo a desenvolver há quase 10 anos, mas eu sou sempre a mesma pessoa. O homem que eu sou não muda", comentou.

Para o papel de Alex - tanto o ator como a personagem partilham o mesmo nome -, o menino que entretanto cresceu e tenta entrar no concurso para se tornar a mulher mais bela de França, o ator teve de perder 10 quilos, seguindo uma dieta rigorosa.

Ao seu lado, teve grandes figuras do cinema e do teatro francês como Thibault de Montalembert, que encarna o papel de um travesti que se prostitui no Bois de Bolougne, e Isabelle Nanty, que é matriarca da casa onde convivem as diferentes personagens.

Para Ruben Alves, tocar em temas como a androginia, a prostituição e o concurso Miss França (um tema cada vez mais polémico no país) não é tabu se se disser "a verdade".

"Há apenas a verdade quando se fala de determinados tópicos. A Miss França não é o meu universo, mas eles abriram-me as portas e eu estudei-o durante um ano. E a parte da prostituição, eu conhecia porque conheço pessoas que o fazem. E eu gosto muito dessas pessoas. Eu nunca rebaixo as pessoas, eu admiro-as, portanto não tive qualquer problema com o filme", indicou o realizador.

Quanto à receção do seu novo filme em Portugal após o sucesso de "A Gaiola Dourada", o luso-descendente considera que o público português é exigente.

"Não sei [como vai ser recebido]. Se as pessoas estão à espera de ver um ‘A Gaiola Dourada 2’ vão ficar surpreendidas, mas as pessoas são mais exigentes do que isso. Esta é uma história de época e que pode acontecer em qualquer país", disse o realizador.

Após ter passado uma temporada em Portugal onde realizou dois documentários e organizou um CD de homenagem a Amália, Ruben Alves diz estar agora a preparar um novo projeto com ligação ao país, embora não revele do que se trata.

Já Alexandre Wetter quer prosseguir a carreira nos palcos, estando também a escrever uma primeira curta-metragem.

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