O ator, realizador, argumentista e produtor Carl Reiner morreu na segunda-feira à noite, aos 98 anos, de causas naturais.

A notícia foi confirmada pela sua assistente à publicação Variety.

Também conhecido como o pai do ator e realizador Rob Rainer, era um dos pilares da comédia no cinema e televisão americanas, ao lado dos amigos e cúmplices de toda a vida Mel Brooks e Dick Van Dyke (ambos com 94 anos).

Carl Reiner trabalhou em musicais na Broadway e como ator e argumentista em televisão na década de 1950, participando no programa “Your Show of Shows”, de Max Liebman, e co-assinou um célebre ‘scketch’ de humor “2.000 Year Old Man” com Mel Brooks, no programa “The Steve Allen Show”.

O momento decisivo e pelo qual é mais recordado é a criação da série "The Dick Van Dyke Show" (1961-1966), com Dick Van Dyke e Mary Tyler Moore, que lhe valeu cinco dos nove prémios Emmy da carreira (os "Óscares da TV") e semanalmente abordava com humor temas que até então pouco entravam nas casas norte-americanas.

No cinema, escreveu e realizou filmes incontornáveis, como "Where's Poppa?" (1970), "Alguém Lá em Cima Gosta de Mim" (1977), "O Tonto" (1979), "O Homem dos Dois Cérebros" (1983) e "Almas do Outro Mundo" (1984), vários protagonizados por Steve Martin.

Com exceção de "Vêm aí os Russos, Vêm aí os Russos" (1966), o impacto como ator foi menor porque os papéis eram muito secundários, mas isso mudou com a mais recente trilogia "Ocean's Eleven" (2001-2007), que o tornou conhecido a uma nova geração de espectadores: ele era Saul Bloom, o vigarista reformado mas com uma experiência que dava sempre muito jeito à equipa liderada por Danny Ocean (George Clooney) para interpretar várias "personagens" ao longo da execução dos assaltos.

Nos anos 1990, Carl Reiner ainda receberia um Emmy de melhor ator secundário na série televisiva “Doido por ti”, com Helen Hunt e Paul Reiser.

Para lá dos 80 anos, continuou a aparecer em séries como "Dois Homens e Meio" e "Póquer de Rainhas". A sua voz também apareceu em episódios de "Family Guy", "American Dad", "King of the Hill" e "Bob’s Burgers".

Carl Reiner continuava a ser convidado para televisão e percorreu o país com espetáculos onde falava da sua carreira.

Há uma semana, durante a sua participação nos "Dispatches from quarentine", dos Silver Screen Studios, Carl Reiner disse que o seu "maior orgulho" estava na criação da série “The Dick Van Dyke Show”.

Na rede social Twitter manteve-se ativo até ao derradeiro dia, ora celebrando a sua amizade com Mel Brooks, ora numa crítica constante à administração de Donald Trump.

Há dois anos, revelara que queria "continuar por aqui" até 2020 para votar contra o atual presidente dos EUA. A mensagem que estava fixa no Twitter era dedicada às crianças migrantes, barradas nas fronteiras norte-americanas.

"Este novo 'tweet' substitui o anterior sobre as 2600 crianças deslocadas que foram separadas dos seus pais pelo nosso presidente. Repetirei esta mensagem até que as últimas 700 crianças se reúnam às suas famílias", mantém-se na página do ator e argumentista.

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