A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou uma alteração radical nas regras de qualificação dos filmes para as nomeações para ultrapassar os constrangimentos causados pela COVID-19, que fecharam as salas e cancelaram os festivais de cinema.

O Conselho de Governadores, que junta representantes de todos os ramos da organização (atores, realizadores, etc), reuniu-se esta terça-feira (28) por videoconferência e votou uma nova regra que, pela primeira vez, permite que filmes estreados em video-on-demand ou serviços de streaming possam qualificar-se para as nomeações dos Óscares.

Pormenor importante: esta regra aplica-se apenas a filmes cujas estreias previstas nos cinemas tenham sido canceladas por causa dos encerramento dos mesmos desde meio de março.

A regra também só se aplica à próxima cerimónia e terminará numa data a anunciar após reabrirem os cinemas em Los Angeles.

A "data a anunciar" em Los Angeles é um pormenor importante porque dá espaço de manobra à Academia face ao caos provocado pela pandemia, que não tem fim à vista: algum tempo antes, o governador da Califórnia anunciara que a reabertura de cinemas no estado e realização de concertos estava a "meses" de distância.

Em comunicado, a Academia volta a afirmar que ver "a magia do cinema" numa sala é uma "experiência única".

"No entanto, a histórica e trágica pandemia da COVID-19 exige esta exceção temporária às nossas regras de elegibilidade aos prémio", acrescentou o presidente David Rubin e a CEO Dawn Hudson, citados no comunicado.

A regra que determinava que um filme tinha de ser exibido durante uma semana num cinema no condado de Los Angeles para se qualificar para os Óscares também vai ser alterada para aceitar a estreia noutras áreas metropolitanas.

As outras alterações anunciadas pela Academia são definitivas e a de maior impacto é a da agregação das categorias de Mistura de Som e Montagem de Som numa única de som.

O processo de votação na primeira fase da qualificação para a categoria de Melhor Filme Internacional também foi alterada.

Antes, a votação apenas era aberta aos membros da Academia que viam nos cinemas determinado número de filmes elegíveis. A partir de agora todos vai ficar disponíveis na plataforma de streaming da Academia e podem votar a todos os que vejam um número mínimo de títulos.

No processo de campanha, o Conselho de Governadores também decidiu que 2020 será o último ano em que os votantes podem receber cópias físicas em DVD dos filmes.

Trata-se de uma alteração que faz parte do programa de sustentabilidade da Academia e que mudará os visionamentos apenas para a plataforma online da organização.

No mês passado, os organizadores do Globo de Ouro foram os primeiros a relaxar as regras, permitindo que filmes previstos para os cinemas competissem, mesmo que o lançamento fosse cancelado.

Outras grandes organizações de prémios consultadas pela agência AFP disseram que ainda era cedo para anunciar mudanças.

A maioria dos cinemas nos Estados Unidos não tem planos de reabrir até o verão, com exceção dos estados da Geórgia (sul), que autorizou a retoma da atividade a partir de segunda-feira, e do Texas, que o fará a curto prazo, permitindo a ocupação a 25%.

Não foi anunciada qualquer alteração da data da 93ª cerimónia, que assim se mantém a 28 de fevereiro de 2021 em Los Angeles.

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