Numa noite marcada por referências à guerra na Ucrânia, "Ilusões Perdidas" foi o vencedor da 47.ª cerimónia dos Prémios César, o equivalente francês aos Óscares, que decorreu esta sexta-feira.

Sem  presença do realizador Xavier Giannoli, a adaptação do livro "Ilusões Perdidas" ("Comédia Humana") de Honoré de Balzac, que chegou aos cinemas portugueses a 20 de janeiro, ganhou sete prémios, incluindo Melhor Filme, Ator Secundário para Vincent Lacoste e Esperança Masculina para Benjamin Voisin, o protagonista, além de várias categorias técnicas.

Benjamin Voisin e Vincent Lacoste, premiados por "Ilusões Perdidas"

Também houve muita admiração por "Annette", que foi reconhecido com o importante prémio de Melhor Realização para Leos Carax, que também não compareceu, o que deu um tom anti-climático à parte final da cerimónia.

O musical com Marion Cotillard e Adam Driver partia com 11 nomeações e conseguiu mais quatro distinções em categorias técnicas, incluindo a incontornável banda sonora.

Pelo segundo ano consecutivo no Olympia de Paris (e não na Salle Pleyel, como é habitual) e apesar da intenção ser a de celebrar o cinema, como recordou o anfitrião Antoine de Caunes, a invasão da Ucrânia pela Rússia emocionou a cerimónia que juntou a família do cinema francês, com várias referências ao longo da noite, mais ou menos diretas, de premiados e apresentadores.

"A essência do nosso negócio é continuar mesmo que o mundo esteja a desmoronar à nossa volta. Esta noite, estamos a pensar nos ucranianos. Vamos aproveitar a oportunidade que eles não têm", explicou diretamente para a câmara o apresentador da televisão francesa e também ator, realizador e argumentista, antes de acrescentar com ironia que os César seriam renomeados como "Os Vladimir” no próximo ano.

À margem da cerimónia, vários atores também exprimiram as suas opiniões e bastante emocionada, a atriz australiana Cate Blanchett, que recebeu de Isabelle Huppert o César honorário pela carreira, foi alternando o discurso entre inglês, francês e castelhano, acabando por se recompor e medir as palavras para dizer que "é difícil pensar noutra coisa além da Ucrânia" e "é o cinema que me permitiu manter a cabeça nos ombros nestes tempos estranhos e difíceis".

Cate Blanchett

Outros momentos sentidos foram as homenagens a Jean-Paul Belmondo, falecido em setembro de 2021 aos 88 anos, com uma prolongada montagens dos seus filmes, e Gaspard Ulliel, desaparecido num trágico acidente de esqui a 19 de janeiro, com 37 anos, primeiro com algumas imagens no início da cerimónia, e depois com um longo discurso do realizador Xavier Dolan, que o dirigiu no filme que lhe valeu o CéSar de Melhor Ator de 2016, “Tão Só o Fim do Mundo”.

Nos prémios de interpretação, além do prémio de Melhor Secundário por "Ilusões Perdidas" para Vincent Lacoste, o primeiro aos 28 anos após quatro nomeações, Benoît Magimel, que tinha ganho como secundário por "La Tête" em 2016, foi eleito agora o Melhor Ator com "De son vivant".

Após prémios em 1994 e 2007 como secundária, Valérie Lemercier foi a Melhor Atriz com "A Voz do Amor", a única distinção em dez nomeações para a comédia dramática musical que também realizou e escreveu inspirada pela vida de Céline Dion.

Um acontecimento foi o prémio de Atriz Secundária por "La Fracture" para a não profissional Aïssatou Diallo Sagna, numa estreia aos 38 anos a incarnar o seu próprio papel, o de uma enfermeira no Serviço de Urgências de um hospital: o filme de Catherine Corsini capta o retrato de uma sociedade fraturada no calor das violentas manifestações dos “coletes amarelos” em Paris e num hospital sob “fogo”, onde os enfermeiros e médicos tentam trabalhar durante um tremendo turbilhão social.

Aissatou Diallo Sagna

Os outros prémios para atores foram os de Anamaria Vartolomei como Esperança Feminina com "O Acontecimento", com o de Esperança Masculina a ir para o protagonista de "Ilusões Perdidas", Benjamin Voisin, com 25 anos, que fora nomeado na cerimónia anterior nesta categoria com "Verão de 85", de François Ozon.

Com quatro nomeações , não houve prémios para "Titane", a Palma de Ouro do último Festival de Cannes.

Valérie Lemercier com o César de Melhor Atriz

Césars 2022: a lista completa de premiados

Melhor Filme: "Ilusões Perdidas"

Melhor Realização: Leos Carax ("Annette")

Melhor Atriz: Valérie Lemercier ("A Voz do Amor")

Melhor Ator: Benoît Magimel ("De son vivant")

Melhor Atriz Secundária: Aïssatou Diallo Sagna ("La Fracture")

Melhor Ator Secundário: Vincent Lacoste ("Ilusões Perdidas")

Melhor Esperança Feminina: Anamaria Vartolomei ("O Acontecimento")

Melhor Esperança Masculina: Benjamin Voisin ("Ilusões Perdidas")

Melhor Filme Estrangeiro: "O Pai", de Florian Zeller

Melhor Argumento Original: "Onoda, 10,000 Nuits Dans La Jungle"

Melhor Argumento Adaptado: "Ilusões Perdidas"

Melhor Longa-Metragem de Animação: "Le Sommet des dieux" de Patrick Imbert

Melhor Documentário: "La Panthère Des Neiges", de Marie Amiguet e Vincent Munier

Melhor Primeiro Filme: "Les Magnétiques", de Vincent Maël Cardona

Melhor Direção Artística: "Ilusões Perdidas"

Melhor Montagem: "Annette"

Melhor Fotografia: "Ilusões Perdidas"

Melhor Guarda-Roupa: "Ilusões Perdidas"

Melhor Banda Sonora: "Annette"

Melhor Som: "Annette"

Melhores Efeitos Visuais: "Annette"

Melhor Curta-Metragem: "Les Mauvais Garçons", de Elie Girard

Melhor Curta-Metragem Documental: "Maalbeek", de Ismaël Joffroy Chandoutis

Melhor Curta-Metragem de Animação: "Folie douce, folie dure", de Marine Laclotte

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