Os fãs vão ficar desiludidos: o Homem-Aranha não voltará a aparecer nos filmes da Marvel... pelo menos por agora.

"De momento a porta está fechada", disse o Presidente do Conselho de Administração e CEO da Sony Pictures Tony Vinciquerra durante uma conferência organizada pela revista Variety.

Mas tratando-se de Hollywood, nada é definitivo e Vinciquerra não deixou de recordar que "a vida é longa", sugerindo que não está excluído o regresso num futuro mais ou menos distante.

Foi a 20 de agosto que foi anunciado o fim da parceria entre a Disney e a Sony que permitia que o Homem-Aranha surgisse nos filmes dos dois estúdios.

Com isso, o super-herói entrou no Universo Cinematográfico Marvel e Kevin Feige, presidente do estúdio, passou a ter influência criativa nos filmes produzidos pela Sony, que também entraram oficialmente nesse Universo, partilhando histórias e personagens.

A renegociação dos termos da parceria e uma disputa financeira terão sido as causas: uma primeira versão avançava que a Disney queria co-financiar os filmes da Sony com o super-herói e ficar com metade das receitas ( e não os 5% atuais), mas posteriormente circularam percentagens mais baixas.

Em comunicado na altura, a Sony pareceu apontar numa direção um pouco diferente, colocando a responsabilidade numa decisão da Disney em deixar cair o envolvimento com a personagem: “Muitas das notícias [...] não caracterizaram de forma correcta as discussões sobre o envolvimento de Kevin Feige no franchise".

Apelos para que os dois estúdios se entendessem juntaram fãs, estrelas da Marvel e até o próprio pai de Tom Holland, o atual Peter Parker e Homem-Aranha.

Na conferência da Variety, Vinciquerra garantiu que não existe rancor na relação entre os dois estúdios, mas, numa referência à revolta dos fãs, reconheceu que "foram umas duas semanas interessantes".

Tal como sugeriu o comunicado, este responsável da Sony repetiu que uma das razões para o fracasso das negociações foi a menor disponibilidade de Feige por causa da entrada de novos super-heróis no Universo Cinematográfico Marvel (os filmes da quarta fase, que vai começar com "Viúva Negra" em maio de 2020, mas também do regresso dos direitos da saga "X-Men" com a aquisição da 20th Century Fox pela Disney).

Vinciquerra também contestou um ponto de vista partilhado por muitos fãs da Marvel: a do papel decisivo de Kevin Feige nos últimos filmes do herói aracnídeo.

"Tivemos um grande percurso com [Feige] nos filmes do Homem-Aranha. Tentámos ver se havia uma forma de resolver isto... as pessoas da Marvel são excelentes, temos um grande respeito por elas, mas por outro lado também temos excelentes pessoas do nosso lado. O Kevin não fez todo o trabalho", explicou.

Destacando a animação vencedora do Óscar "Homem-Aranha: No Universo Aranha" e a série com a Amazon "The Boys" como provas da competência da Sony, o estúdio quer lançar o seu próprio Universo agora que volta a ter a exploração exclusiva.

Os próximos planos passam pela sequela de "Venom", realizada por Andy Serkis, um filme sobre Morbius, um dos inimigos do Homem-Aranha, protagonizado por Jared Leto, e "cinco ou seis" séries.

Uma parceria invulgar

Apesar da Marvel ser atualmente propriedade da Disney, a sua personagem central, o Homem-Aranha, tem ainda os direitos de adaptação ao cinema trancados pela Sony, que produziu a trilogia de filmes de Sam Raimi protagonizados por Tobey Maguire entre 2002 e 2007 e as duas fitas de Marc Webb encabeçadas por Andrew Garfield entre 2012 e 2014.

Para que a personagem pudesse integrar os filmes do chamado Universo Cinematográfico Marvel, encabeçado criativamente por Kevin Feige e que se tornou a série de maior sucesso em valores brutos da história do cinema, a Sony e a Marvel fizeram um acordo invulgar em 2015: a Marvel teria o controlo criativo dos filmes a solo do Homem-Aranha lançados pela Sony e poderia utilizá-lo também como participante nos seus próprios filmes, cobrando para isso apenas uma percentagem de 5% dos valores brutos de bilheteira e mantendo os direitos totais sobre o merchandising.

A parceria foi mútua para ambas as partes, com o Homem-Aranha interpretado por Tom Holland a surgir como secundário no filme da Marvel "Vingadores: Guerra Civil" (2016) e nos filmes posteriores do super-grupo (incluindo, já este ano, "Vingadores: Endgame", que se tornou o maior sucesso da história do cinema em valores brutos) e também em dois filmes a solo pela Sony, "Homem-Aranha: Regresso a Casa", em 2017 e, já este ano, "Homem-Aranha: Longe de Casa", que arrecadou já mais de mil milhões de dólares nas bilheteiras de todo o mundo, tornando-se o maior sucesso de sempre da Sony ao ultrapassar os valores do mais recente filme da saga 007, "Spectre".

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