A HISTÓRIA: Em 1967, um jovem órfão vai viver com a avó numa cidade rural do Alabama, Demopolis. Quando o rapaz e a avó encontram umas bruxas encantadoras, mas diabolicamente traiçoeiras, a avó decide levar o neto para um luxuoso resort à beira-mar. Infelizmente, estes chegam exatamente na mesma altura em que a Grande Bruxa-Mor decide reunir-se com todas as suas amigas bruxas – disfarçadas – para executar os seus abomináveis planos.

"As Bruxas de Roald Dahl": nos cinemas a 29 de outubro.


Crítica: Hugo Gomes

O livro infanto-juvenil de Roald Dahl (publicado em 1983) sobre uma convenção de bruxas que dá para o torto obteve uma “célebre” adaptação em 1990 pelas mãos de Nicolas Roeg (“As Bruxas”), que, habituado a um peculiar cinema de género, foi responsável por traumatizar uma geração de crianças eludidas.

Passados 20 anos, e tendo em conta a seca de ideias em Hollywood, a história é refeita para o grande ecrã sob o pretexto de aprimoramentos tecnológicos. Não é por menos que a batuta se encontra nas mãos de Robert Zemeckis, realizador que nos últimos tempos (mesmo com um travão suscitado por um tremendo fiasco como foi "Bem-Vindos a Marwen", com Steve Carell) tem apostado numa relação orgânica entre os efeitos especiais com a narrativa ("Regresso ao Futuro", "Quem Tramou Roger Rabbit?", "Forrest Gump", "Polar Express", etc.).

Previsivelmente, “As Bruxas de Roald Dahl” é tudo aquilo que esperávamos numa revisão contemporânea, um festim de CGI mal emaranhado, uma agreste redução no tom negro da anterior versão e uma tentativa (algo questionável aqui devido à sua leveza) de tecer um contexto social.

Os ingredientes não resultam em nenhum elixir de juventude e a fermentação converte tudo numa poção requentada, monstruosamente despida de personalidade, mesmo que possamos assumir que o início é esteticamente prometedor (com uma narração própria de Chis Rock, a fazer recordar a sua bem-sucedida série “Everybody Hates Chris”).

Aqui, onde nem um gato escapa ao domínio das imagens computorizadas (dificilmente os seus visuais sobreviverão num espaço curto de tempo), é Anne Hathaway que vemos como o núcleo esforçado, numa correspondência artificial ao legado deixado por Anjelica Huston, que com "As Bruxas" se tornou na infame bruxa-mãe de ínfimos pesadelos infanto-juvenis.

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