A HISTÓRIA: Becky é uma adolescente rebelde. Numas férias em família, viverá a pior experiência da sua vida, quando a casa onde se encontram é invadida por um grupo de reclusos em fuga, liderado pelo impiedoso Dominick...

"Becky": nos cinemas a 23 de julho.


Crítica: Daniel Antero

Imaginemos que, em vez de ser um puto divertido cheio de engenhocas, o Kevin McCallister do "Sozinho em Casa" era um adolescente angustiado e depressivo que direcionava a sua fúria para uma carnificina mais visceral e doentia do que a de um Rambo desequilibrado.

Becky (Lulu Wilson) é a materialização desse pesadelo: uma rapariga de 13 anos que desencadeia um tumulto de violência contra um bando de neo-nazis, prisioneiros em fuga que se apoderam da sua casa do lago e tornam refém a sua família.

Pouco sabemos deste grupo de vilões liderado por Dominick (o habitual ator de comédia Kevin James a experimentar o outro lado do espectro), a não ser que fazem parte da Irmandade Ariana e que estão em busca de uma chave.

O que é que abre a chave? Não é revelado, mas parece ser suficientemente poderoso para fazer com que se matem crianças. E quem é que tem esta chave? Becky. Azar.

O filme da dupla Jonathan Milott e Cary Murnion é um "thriller" de ação com momentos de gore que pouco se preocupa com profundidade ou conclusões.

O guião de Nick Morris, Lane Skye e Ruckus Skye é absurdo, cheio de clichés, desesperado por galgar detalhes e motivações, com desinteresse pelo próprio sub-texto racial que lança. O que interessa aqui é condensar e amplificar um estilo que advém de realizadores como Jeremy Saulnier ("Green Room") ou S. Craig Zahler ("Na Sombra da Lei") e chegar o mais rápido possível à próxima espiral sanguinária de Becky.

E que espiral! Com quatro alvos para abater, Becky aponta à jugular e gosta de pressionar um pouco mais do que o necessário, seja aos pontapés a um regulador ou a aguentar a força de um corta-relva sobre o mesmo alvo.

Tudo num estilo descompassado, onde a edição unifica a preguiça dos realizadores, que suportam e se ostentam numa banda sonora sombria para registar tensão e pontuar o olhar psicótico da jovem atriz Lulu Wilson.

Para quem gosta de gore, as cenas da fúria de Becky são um regalo mas podem ser pesquisadas no YouTube. Para o cinema era preciso ter mais alguma coisa para mostrar...

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