A HISTÓRIA: Um casal (Issa Rae e Kumail Nanjiani) enfrenta um momento decisivo no seu relacionamento quando é arrastado para um caso de homicídio. Decididos a provar a sua inocência, os pombinhos veem-se embrulhados nas situações mais extremas e hilariantes e resta saber se eles, e a sua relação, conseguem sobreviver para contar a história.

"Os Pombinhos" está disponível na Netflix Portugal.


Crítica: Daniel Antero

Kumail Nanjiani e Issa Rae são Jibran e Leilani, um jovem casal prestes a entrar no quarto ano de relação, saturados e no limite da sua incompatibilidade, prestar a desmanchar de vez o ninho de amor.

Com diferenças de atitude e opinião baseadas nos comportamentos "millennial" referentes ao uso das redes sociais, assistirem a "reality shows" ou partilharem Lyft com outras pessoas, tudo lhes parece a um nível irreconciliável.

Mas eis que seguem para mais um jantar de aparências com o seu grupo de amigos e uma conspiração criminosa embate neles, literalmente, através de um estafeta que distribui envelopes comprometedores a membros da alta sociedade de Nova Orleães.

Num ápice, aquilo que parecia ser uma comédia à imagem do que Michael Showalter conseguira com "Amor de Improviso", o sucesso "indie" de 2017 (também com Kumail Nanjiani e baseado num marcante episódio da sua vida), torna-se o que o cinema considera a "melhor terapia para casais".

Tal como acontecia com “Noite de Jogo” (mas com Jason Bateman e Rachel McAdams), "Os Pombinhos" tem eventos ameaçadores, ação com reviravoltas, reuniões secretas como as de “De Olhos Bem Fechados" de [Stanley] Kubrick e ameaças de morte. E tal como como “Noite de Jogo”, quer ser uma história de amor, mas também uma narrativa atrevida, onde pessoas comuns são mergulhadas num cenário de crime e mistério, ideal para que a relação ganhe nova vitalidade.

Será esta então a solução para Jibran e Leilani? Com certeza. E para nós, os espectadores?

Issa Rae e Kumail Nanjiani bem se esforçam para tornar a nossa viagem mais divertida, com improvisos e momentos de pânico espalhafatosos. Mas é evidente a falta de química e originalidade pois estão presos a um padrão "hollywoodesco" de decisões ridículas. E quanto mais rebuscadas e ridículas as consequências dessas decisões, mais inesperadas são as cenas de ação. Que, diga-se, Michael Showalter não tem nervo para guiar.

Como uma versão "hipster", sem energia, do mítico "Nova Iorque Fora de Horas" (Martin Scorsese), "Os Pombinhos" acaba por ser banal, um filme seguro que iria perder-se na galeria das estreias semanais nos cinemas. Porém, "transferido" para o streaming por causa da COVID-19, ganha o seu lugar descartável e confortável no sofá da Netflix, onde o argumento superficial e previsível funciona como uma distração para o serão...

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