O Tivoli não esgotou, mas encheu-se bem para uma noite em que se festejava o verão, o amor e o reggae. A sala compôs-se lentamente e, já 30 minutos passavam da hora prevista para o início do concerto, quando, finalmente, o teatro ficou às escuras e as luzes verdes, amarelas e vermelhas encheram o palco, juntamente com o comité de músicos brasileiros.

Miúdos, graúdos, pessoal do surf e do skate, mas também senhores de fatinho e gravata - houve lugar e boa vibe para todos. Em Portugal para apresentar o mais recente disco, “Sol Loiro”, Armandinho não esqueceu o povo que tanto o acarinha e recompensou-nos com um concerto cheio de clássicos, que fizeram as maravilhas dos fãs mais fiéis e antigos.

Sem alinhamento pré-determinado e sem repetições de setlists de concerto para concerto, os brasileiros dizem que vão “com a maré” e tocam o que lhes vai no coração. E assim foi. Tema após tema, o ambiente foi aquecendo com um público em pé, a dançar e cantar as canções de fio a pavio.

“Juro” surge numa altura em que já ninguém estava sentado na cadeira. Os corpos abanavam ao som do reggae brasileiro e esta balada veio acalmar os ânimos. Telemóveis ergueram-se, de imediato, no ar, a fazerem chamadas para os amantes ausentes. Os presentes abraçavam-se e colavam os corpos, numa dança de celebração da paixão. O verso final - “eu sinto a falta do teu sexo” - serviu de mote para “Ursinho de Dormir”, que entrou de rajada, para mais um momento de amor à descarada. O mulherio da sala entra em delírio e canta palavra atrás de palavra, em uníssono com Armandinho.

“Pescador”, “Desenho de Deus” (mais uma daquelas baladas de fazer aquecer o coração, numa noite em que o frio era demasiado), “Lua Cheia” e “No Balanço da Rede” foram outros dos clássicos ouvidos. Com uma ameaça de “Riders On The Storm”, dos The Doors, nos acordes e palavras iniciais, “Outra Vida” irrompeu, também, pelo teatro, como mais uma canção de amor - ou não se ouvissem nos versos “talvez não seja nessa vida, mas você ainda vai ser a minha vida”.

Os corações retomavam, aos poucos, o ritmo normal dos batimentos, quando "Paulinha" aparece, com uma convidada especial a surgir diretamente do público. “Tem aí alguma Paulinha?”, havia perguntado Armandinho, com vários braços a levantarem-se de imediato. Se eram Paulinhas ou não, nunca saberemos, mas uma sortuda foi escolhida para subir ao palco e dançar «agarradinha» ao guitarrista, João Coiote. Depois de um quase slow com o homem das cordas – que também canta, e muito bem, a Paulinha de Lisboa teve ainda a oportunidade de dançar com o «cabecilha» do grupo, acabando o tema nos braços de Armandinho, que a rodopiou no ar antes de partir para “Semente”.

Antes da noite acabar, “Outra Noite Que Se Vai” aparece, enquanto o senhor dos cabelos compridos se aventura pelo meio do público, numa viagem que fez a noite de muitos. Armandinho dançou com quem queria dançar com ele, abraçou uns outros quantos e derreteu todos os corações. E por aí ficou. Retornou, por mais uns instantes, ao palco, mas poucos minutos depois voltou para cantar perto da régie de som, acabando o concerto com “Sentimento” e agradecendo do fundo do coração a presença de todos, também prometendo que ainda este ano voltava a terras lusas para mais concertos.

“Eu só peço uma coisa para vocês… Vão falar p’ra todos os vossos amigos amanhã que o show estava bom que é só isso que eu preciso!”, apelou, antes de se atirar a "Sol Loiro", tema que dá nome ao seu novo álbum e que fechou o concerto, que não teve direito a encore, mas, em jeito de compensação, teve direito a palavras de incentivo ao amor e ao perdão: “O segredo da felicidade não é poder nem dinheiro - é perdão. Devemos sempre perdoar aqueles que nos amam”.

E, por isso, Portugal perdoou Armandinho por não fazer encore. Até porque hora e meia de boas vibrações e boa música já chega para encher o coração durante o resto da semana.

Texto e fotografias: Marta Ribeiro

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