Robert Belleret, jornalista do jornal Le Monde, que fez uma investigação minuciosa sobre a vida de Edith Piaf e baseou-se principalmente numa centena de cartas enviadas pela artista ao seu confidente, Jacques Bourgeat, que até agora não haviam sido publicadas.

O autor também descobriu centenas de arquivos, o que permitiu esclarecer muitas das mentiras e meias-verdades em torno da vida turbulenta da diva, filha de um acrobata e uma cantora de rua.

"Porque se enfeitou, se exagerou ou se inventou tanto sobre Piaf?", pergunta-se Belleret no prefácio do seu livro, de 700 páginas, que investiga o nascimento, a infância e a vida amorosa da cantora, além de alguns episódios obscuros da trajetória de Piaf, como a sua atitude durante a ocupação de Paris pelas tropas nazis.

"Tratam-se de verdades e meias-verdades que foram transmitidas pelos seus parentes, mas que Piaf também ajudava a circular para autoalimentar o mito", destaca Belleret. "Piaf mentia muito sobre a sua vida, a começar pelo seu próprio nascimento", escreve Belleret, que também é o autor de uma biografia do cantor Léo Ferré.

O livro refuta as alegações de Piaf de que ela deu documentos de identificação falsos a prisioneiros franceses, durante duas apresentações que ela dizia ter sido obrigada a fazer na Alemanha nazi.

"Piaf levou uma vida de extravagâncias durante a guerra", assinala o escritor, que também fez um relato detalhado dos amores desta "Don Juan feminina". A cantora de voz marcante foi uma "sedutora insaciável, uma destruídora de lares que multiplicava as suas conquistas", como Marcel Cerdan, Yves Montand, Georges Moustaki e Eddie Constantine, diz.

Apesar de não esconder os seus lados obscuros (caprichos, vícios, mesquinhez), a biografia não compromete em nada o mito, destacando o talento imensurável da artista, a sua vontade de trabalhar, a sua energia, o seu magnetismo em palco, o seu carisma e a sua tenacidade.

Belleret enfatiza também o extraordinário dom de Piaf para a escrita, o que a levou a compor cerca de 90 músicas que correram o mundo, como "La Vie en Rose" e "Hymne à l'Amour".

A artista e compositora - cuja dimensão internacional foi consolidada pelo filme "Piaf" (2007), que garantiu um Óscar à sua intérprete, Marion Cotillard - será relembrada em outubro na França e em Nova Iorque, cidade-fetiche da artista, que lhe oferecerá um tributo.

Piaf, que morreu em 1963, aos 47 anos, depois de uma vida atormentada mas cheia de amor, paixão e homenagens, continua a ser das cantoras mais amadas em França.

@AFP

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