As 3 Marias, que em 2009 editaram “Quase a primeira vez”, são Cristina Bacelar na voz e na guitarra, Fátima Santos no acordeão e Ianina Khmelik no violino, que já se haviam cruzado em projetos como os Frei Fado d'el Rei ou a Musa ao Espelho.

Este “Bipolar” afirmou Cristina Bacelar em entrevista à Lusa, “é um disco muito mais maduro do que o primeiro, um disco onde se sente uma enorme cumplicidade entre as três”.

Cristina Bacelar afirma que os temas fazem justiça ao título do disco, assumindo que a bipolaridade é a “patologia musical” que a banda assume com gosto. “Temos uma ‘Maryjoana’ que nos fala de um desvio à linha musical que normalmente nós seguíamos e é um tango bastante alegre, bem-disposto” mas há também “’Libertango’ de Astor Piazzolla que é uma música potentíssima, lindíssima, que também retrata o lado sério das Marias”, explicou.

“Maryjoana” é o primeiro single do disco, já com vídeo e a passar nas rádios, um tema que fala de “uma personagem criada pelas 3 Marias, que fala de uma mulher das Fontainhas que trabalha numa marquise onde tira os pelos”. Cristina Bacelar explica que este personagem “é também uma fuga à realidade, para fazer as pessoas sorrir um bocado, porque estão um bocado cansadas das notícias com que são bombardeadas diariamente, as avaliações da troika, o medo de não ter dinheiro para pagar a renda no final do mês, a educação dos filhos, etc...”

Neste novo trabalho “a essência continua a ser o tango” o que, na sua opinião, “sem pretensiosismo nenhum” faz das 3 Marias “o único grupo que em Portugal, de facto, faz tango” em que acreditam “cantado em português”, elas que foram classificadas pela crítica como “o novo tango da Invicta”.

Nem que o género não estivesse na moda, e “neste momento está”, Cristina Bacelar acha que o grupo tocaria sempre este tipo de música, embora não rejeite do cruzamento de “diversas linguagens” como acontece neste “Bipolar” em que se podem entrever influências de flamenco, bolero, bossa-nova ou jazz.

A produção é de Quico (ex-Salada de Frutas, Três Triste Tigres e Plaza) com quem “foi fácil” gravar já que, confessa a líder das 3 Marias, ele foi uma das “pessoas com quem mais aprendeu” ao longo da sua carreira musical.

“A maior parte do disco ou grande parte do disco foi toda gravada numa tarde e isto é sintomático de que sabíamos o que estávamos a fazer e o Quico também”, explicou.

@Lusa

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