“Temos residência em Leiria [onde são estreados todos os programas] desde a origem e, desde 30 de janeiro de 2005, em Sintra. Fizemos até domingo 183 concertos em Sintra”, disse à agência Lusa o musicólogo Paulo Lameiro, salientando ser “significativo” o número 800. Para o responsável, não deixa de ser um “feito” como é que um projeto, nascido em 1998, “num país pequeno, que não tem muita produção, nem consumo artístico, consegue estar em cena a fazer 800 concertos vivendo de bilheteira”.

Paulo Lameiro salientou que “a mais-valia de um produto, seja um produto empresarial, como uma papa ou um material de construção ou uma linguagem artística, faz-se com o seu desenvolvimento no tempo”. “Cada vez que testamos um palco e testamos um público estamos a fazer uma aprendizagem”, declarou, observando que os concertos refletem, também, a aprendizagem dos públicos ou das famílias. Segundo o musicólogo, 800 concertos é, também, uma rede de relações: “Não só com o nosso mercado nacional que, apesar de pequeno, continua a ser a nossa matriz, mas a possibilidade de ter testado concertos em palcos muito diferentes em todo o mundo”.

O concerto n.º 800 realiza-se às 10:00, com repetição pelas 11:30, e tem como temática o livro, programa criado para a Feira do Livro em Pontevedra, Espanha, para onde os Concertos para Bebés viajarão na próxima semana. “A obra central deste concerto chama-se ‘Story’, do compositor contemporâneo John Cage, e vai falar do papel que o som tem na palavra, vamos explorar o som do livro, o som da página, o som da palavra, o som de quem conta a história, de quem a lê, o silêncio de quem lê e está a ouvir interiormente”, explicou o professor. Paulo Lameiro acrescentou: “Temos um livro gigante do qual saem partituras, sons, músicos”.

O programa contempla, ainda, “alguns compositores que escreveram obras que têm a ver com o universo das histórias e do contar as histórias”, referiu, exemplificando com o Capuchinho Vermelho, cujo lobo vai entrar no espetáculo. “Este concerto testa os medos. Temos um lobo e alguns compositores que escreveram sobre o lobo, como o descreveram e como descreveram os medos que nós de pequeno temos”, referiu. Indicado para crianças dos três meses aos três anos, o concerto, onde vai haver livros mas o público também é convidado a levá-los, assume-se como “muito intimista”. “O livro é um objeto íntimo, todos nós viajamos íntima e individualmente nesta relação com quem nos conta uma história”, justificou Paulo Lameiro.

Os Concertos para Bebés são uma produção da companhia artística Musicalmente, instalada nos Pousos, aldeia a quatro quilómetros do centro de Leiria, num espaço que foi uma fábrica de formas de calçado. O projeto tem a sua origem no trabalho com bebés desenvolvido pela Escola de Artes da Sociedade Artística Musical dos Pousos, desde 1991, no programa Berço.

Concertos para Bebés estreiam-se no Brasil este mês

Os Concertos para Bebés estreiam-se no final deste mês no Brasil, país a que voltarão em maio na sequência de um convite de um festival internacional, no âmbito de uma digressão apoiada pela Direção Geral das Artes. “A ideia do Brasil tem a ver com uma candidatura à Direção-Geral das Artes para apoio à internacionalização, que nós ganhamos”, explicou Paulo Lameiro, adiantando vão estar em São Paulo e Santos a fazer concertos no SESC, “a maior instituição de produção cultural do Brasil”.

Paulo Lameiro adiantou que, “quis a fortuna que, sem nenhuma relação com isto”, o projeto vá duas vezes ao Brasil, agora em maio, mas a Belo Horizonte e a convite do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua. “Ambicionávamos muito esta estreia. É, também, não escondemos, em termos de mercado de trabalho para as artes, uma nova área de mercado e grande. Toda a América Latina é uma área de mercado importante”, declarou.

Paulo Lameiro assumiu a estreia como um desafio: “É a primeira vez que vamos para uma cultura muito afastada de nós, mas com a mesma língua mãe”. “Mas para nós é sempre uma aprendizagem conhecer a forma como os bebés são integrados na família, se relacionam com as mães e são iniciados nas relações com o espaço exterior e com os outros”, declarou, convicto: “Vamos experimentar uma nova relação de bebés com mães, bebés com bebés e bebés com músicos”.

Para a primeira digressão estão previstos dois concertos, dois “workshops” e uma conferência; na segunda, três concertos, uma conferência e dois “workhshops”. Ao Brasil, além de Paulo Lameiro, vai o quarteto de instrumentistas titular, com Alberto Roque, diretor musical em saxofone barítono, Nuno Gonçalves no clarinete, Pedro Santos com o acordeão e José António no saxofone alto. A bailarina titular Inesa Markava e as cantoras Isabel Catarino e Cristiana Francisco também integram a comitiva.

Os Concertos para Bebés já viajaram praticamente por toda a Europa e também na China, tendo assistido aos concertos cerca de 56 mil bebés.

@Lusa

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