Segundo a direção da Academia de Música de Espinho, que gere a referida sala de espetáculos do distrito de Aveiro, as escolhas para o arranque próximo ano envolvem assim um cartaz que cruza valores emergentes com músicos consagrados.

“Esta é apenas uma pequena amostra do que iremos propor para os três primeiros meses de 2023. Teremos um nome histórico do jazz europeu, samba com uma história, ‘world music’, erudita e dois nomes essenciais da música independente das últimas décadas. Apesar dos tempos incertos que vivemos, esperamos que as pessoas continuem a escolher a cultura e a ver nela um refúgio”, declara André Gomes, programador do Auditório.

Sobre Henri Texier, esse responsável adianta à Lusa que o músico estará em palco a 4 de fevereiro para apresentar o álbum “Heteroklite Lockdown” com o trio homónimo que integra ainda Sebastien Texier e Gautier Garrigue.

Apontado como detentor de “uma das carreiras mais emblemáticas e ricas da história do jazz” e considerado o “símbolo de uma geração desinibida e ávida de experimentação”, o contrabaixista tem sido “um inesgotável catalisador de aventuras musicais e é um dos raros músicos franceses que colaboraram com um grande número de artistas americanos, como Joe Lovano, John Scofield, John Abercrombie, Bill Frisell, Steve Swallow e Kenny Wheeler”.

Owen Pallett, por sua vez, atuará a 31 de março com Joel Gibb, da banda The Hidden Cameras, no âmbito da digressão europeia dos dois músicos. André Gomes antecipa o concerto como uma celebração do 20.º aniversário do disco "The Smell of Our Own", “documento seminal da cena musical de Toronto da década de 2000, responsável por uma polinização cruzada entre arte, música, as comunidades ‘queer’ e o movimento DIY [Do it yourself /Faça você mesmo]”.

Owen Pallett e Joel Gibb encerram a passagem por Portugal em Espinho, depois de concertos em Braga (gnration, 24 março), Viseu (Teatro Viriato, 25 março), e Lisboa (Culturgest, 30 de março).

Quanto a Selma Uamusse, será a protagonista do dia 21 de janeiro, combinando ritmos, línguas nativas e instrumentos tradicionais de Moçambique com eletrónica e outras influências. “É uma performer impressionante, de grande energia e entrega, com uma voz imersiva e profunda”, diz André Gomes, que reconhece aos temas da cantora reflexos também do rock, do experimental e da música portuguesa e brasileira.

Em cartaz estará igualmente, a 3 de fevereiro, o cantor e compositor brasileiro Luca Argel, com o espetáculo “"Samba de Guerrilha". Nele, história e imagem irão conjugar-se para traçar o retrato de um género musical que, ao longo de 100 anos, enfrentou “muitas batalhas até à sua aceitação social” enquanto símbolo da luta que populações negras e periféricas vêm travando por reconhecimento, direitos e dignidade.

A programação do primeiro trimestre de 2023 incluirá ainda um concerto pela Orquestra Clássica de Espinho, que a 17 de fevereiro, sob a direção de Pedro Neves, dará a ouvir uma emblemática obra de Modest Mussorgsky e Maurice Ravel.

André Gomes diz que o concerto é inspirado pela pintura e conta a história: “A amizade com o pintor e arquiteto Viktor Hartmann levou Mussorgsky a escrever ‘Quadros de uma exposição’. Hartmann sempre procurara criar uma arte baseada em elementos russos, afastada dos modelos da Europa Ocidental, e Mussorgsky recriou uma exposição hipotética dessa obra pouco depois da morte prematura do amigo. O resultado foi uma composição que prefigurou o Modernismo e que, uma vez orquestrada por Ravel em 1922, se tornou uma obra magistral, modernista e quase pictórica”.

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