A confusão estava instalada desde o início. As sirenes, os barulhos constantes, os sons de explosivos e de tiros… Foi ruidoso o concerto de M.I.A. Foi confuso também. Mas foi, acima de tudo, natural e genuíno.

“Boyz”, quase a abrir o concerto, deu o mote para a festa improvisada no campo de batalha criado por M.I.A. (era a própria que lançava as granadas imaginárias ao longo do concerto). “Bucky Done Gun”, logo de seguida, foi a deixa para a artista britânica se chegar bem perto do público, pela primeira vez.

O novo disco chegou através de “It Takes a Muscle”, que surgiu numa versão mais ritmada onde até pelo meio se ouviu a também recente “Lovalot”. Logo de seguida uma sequência mortífera: “World Town”, “Bamboo Banga” e “XR2” serviram de mote para um dos momentos altos do concerto, que se prolongou com “Galang”, o seu primeiro êxito, durante a qual M.I.A. passeou por entre os braços do público.

Para aumentar ainda mais esta proximidade, M.I.A. convidou uma dezena de raparigas a subir ao palco e a dançar e beber shots durante a interpretação de “Tekqilla”,. Depois de uma saída rápida, o regresso fez-se com “Paper Planes” e a mais recente”Born Free”, com apelos ao moche. Cada um reagiu como pôde: alguns dançaram, outros saltaram e houve ainda quem praticasse “headbanging”. É também este o segredo de M.I.A., não se saber o que esperar ou como reagir. Mas a verdade é que, no fim das contas, o concerto mais esperado do dia acabou também por ser o mais marcante.

Antes dela, os Flaming Lips assinaram aquele que foi o melhor concerto do dia até M.I.A. chegar. Já há alguns dias tinham sido revelados alguns pormenores da actuação da banda norte-americana: bolas transparentes gigantes, balões, serpentinas… E neste campo mesmo que não tenha havido surpresas, o início do concerto não deixou de impressionar.

Houve “excentricidades” para todos os gostos. Wayne Coyne dentro de uma bola transparente a rebolar por cima do público. Wayne Coyne a espalhar confetis e serpentinas para o público e ainda a lançar balões gigantes. Wayne Coyne em cima de um urso a cantar. Tudo isto em três músicas bem contadas.

Mas se o início foi fulgurante, o resto do concerto manteve a qualidade de outra forma. Nunca perdendo o bom humor os Flaming Lips desfiaram um rol de clássicos da banda, como “She Don't Use Jelly”, e canções do último disco, como “Silver Trembling Hands”, terminando em estado de graça com “Do you realize??”

Mais cedo, nem os Bomba Estereo nem Maria Gadú conseguiram reunir à frente do palco TMN um número considerável de pessoas. Os primeiros não conseguiram impor o seu “Electro tropical" vindo da Colômbia apesar dos esforços empreendidos pela vocalista, Liliana Saumet. Já o concerto da compositora e intérprete brasileira mostrou que, apesar de tudo, existem alguns adeptos fiéis da sua música, capazes de trautear cada verso.

Já os Groove Armada não se puderam queixar de falta de público e entusiasmo. O duo londrino trouxe uma banda e dois vocalistas, que animaram como puderam os resistentes que permaneceram em frente ao Palco TMN até perto das 4 da manhã, quando soou “Superstylin”.

No final da noite foram feitas as contas: 30 mil pessoas no recinto, segundo a organização.

Texto: Frederico Batista

Fotos: Rita Afonso e Frederico Batista

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