A cantora Simone de Oliveira, que conheceu e colaborou com Pedro Barroso, que morreu hoje, em Lisboa, disse à Lusa, muito emocionada, que a morte do músico é "um desgosto" para si.

"O Pedro foi um homem da palavra e da música que este país, infelizmente, conheceu mal", disse a cantora, salientando a "excecionalidade do trabalho" do cantor e compositor. "Convivi com ele, estivemos para fazer um projeto juntos que fomos adiando devido às nossas vidas", disse a cantora.

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, lamentou também a morte do músico Pedro Barroso, de quem era amigo, e que recordou como "uma das figuras mais importantes da música popular portuguesa".

"Acabo de ser informado do falecimento de Pedro Barroso, autor, músico e intérprete que conhecia há mais de 50 anos e de quem tive a honra de ser amigo. Pedro Barroso foi, sem dúvida, uma das figuras mais importantes da música popular portuguesa", refere a segunda figura do Estado, numa mensagem de pesar enviada à Lusa.

O presidente da Assembleia da República transmitiu, em seu nome e do parlamento, "o mais sentido pesar e fraterna solidariedade" à família e deixa uma palavra de agradecimento a Pedro Barroso.

"Pela sua atividade enquanto músico de intervenção, e, bem assim, pela defesa intransigente dos direitos dos autores, é enorme a minha gratidão", refere.

Já o fadista João Chora, um dos artistas que gravaram temas de Pedro Barroso, disse que o músico "marca a história da música portuguesa". "Homem muito querido pelos ribatejanos, que deixa uma ternura imensa, como foi visível no concerto de dezembro dos seus 50 anos de carreira", disse.

O músico iniciou-se nas lides musicais em 1969, no programa televisivo "Zip-Zip", de autoria e apresentação de Carlos Cruz, José Fialho Gouveia e Raul Solnado.

"Era um homem muito atencioso e grato aos músicos com quem trabalhava", afirmou Chora, que se referiu a Pedro Barroso como "um homem inteligente e solidário".

Pedro Barroso é autor da letra e música do "Fado Ribatejo", gravado por João Chora em 1999, e que é o seu "cartão de visita", referiu o fadista.

O músico e pintor Pedro Barroso, de 69 anos, morreu hoje de madrugada, num hospital de Lisboa, disse o seu filho à Lusa, o também músico Nuno Barroso.

Pedro Barroso nasceu em Lisboa, em 28 de novembro de 1950, numa família de Riachos, Torres Novas, cidade onde viveu desde a infância e que sempre considerou a sua terra natal.

Intérprete de êxitos como "Menina dos Olhos D’Àgua", celebrou, em dezembro passado, 50 anos de carreira, com um concerto na localidade.

No passado dia 20 de dezembro, na véspera desse derradeiro concerto, escreveu na sua página oficial, na rede social Facebook: “Sim. Corto a 'jaqueta de forcado' amanhã [dia 21], no velho Teatro Virgínia, pelas 21:30 - com testemunho de 600 cúmplices [espectadores]; e quero dizer com isto, que cesso atividade como músico, não me retirando obviamente, nem como homem das ideias, nem das artes, nem das palavras. E da diferença. Não abandono a intervenção crítica, nem a cidadania, pelo menos enquanto o último neurónio mo permitir”.

Pedro Barroso deixou um álbum gravado, "Novembro", a editar "em breve", segundo a discográfica Ovação.

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