O programa de evocação dos 50 anos do falecimento do escritor, que nasceu em Vila do Conde, estudou em Coimbra e viveu em Portalegre, envolve o Ministério da Cultura, as direções regionais de Cultura do Norte, do Centro e do Alentejo, as câmaras daquelas três cidades, a Universidade de Coimbra, o Centro de Estudos Regianos (de Vila do Conde), e integra diversas outras iniciativas, “de cariz nacional e local”.

Exposições, espetáculos, conferências e atividades de rua e com envolvimento da comunidade educativa são algumas das iniciativas do programa que, até dezembro de 2020, faz a evocação da vida e obra do romancista, novelista, contista, poeta, dramaturgo, ensaísta, cronista, crítico, memorialista e historiador da literatura, revelado hoje, em Coimbra, durante uma conferência de imprensa.

Percorrendo “terras de afeição” de Régio, “o vasto e multifacetado” programa pretende “evocar a memória e ampliar o reconhecimento desta figura ímpar da cultura portuguesa”, sublinhou a diretora regional de Cultura do Centro, Susana Menezes.

Trata-se de um projeto que resulta da cooperação entre o Ministério da Cultura, aquelas direções regionais, as câmaras municipais e o Centro de Estudos Regianos e da Universidade de Coimbra (UC).

Entre as iniciativas promovidas pela UC, para preservar a memória do autor, destaque para a exposição temática documental, em 2020, para visitar a figura de Régio, essencialmente a partir do espólio à guarda da Biblioteca Geral da Universidade, referiu o vice-reitor Delfim Leão.

Mas “a evocação [do homem, escritor e ensaísta] não se esgota naquilo que já existe”, estando, o Centro de Literatura Portuguesa (Faculdade de Letras de Coimbra) a organizar uma Jornada Regiana, para visitar, “recolocar, dar uma centralidade renovada ao autor”, que tem estado afastado dos interesses dos leitores, acrescentou o vice-reitor da UC.

José Régio é património do País, mas também de Coimbra, sustentou a vereadora da Câmara de Coimbra Carina Gomes, salientando que o programa evocativo do homenageado, organizado pelo município, se apoia essencialmente na sua ligação à cidade.

Um espetáculo de canção de Coimbra, em maio do próximo ano, na Baixa histórica da cidade, durante o qual será interpretado o "Fado português", com letra de José Régio, que foi gravado por Amália Rodrigues em 1965 e por Dulce Pontes em 1996, é uma das iniciativas agendadas.

"Fado português" partilha dos “traços marcantes” da poesia de Régio, evidenciando “uma faceta trágica e expressionista que, por momentos, atinge algum paroxismo. O sujeito lírico revela-se sensível à tragédia de tipos sociais e humanos afligidos por uma chaga moral, um fado, e que não vislumbram nem encontram qualquer oportunidade social de se realizarem”.

Uma visita guiada a espaços exteriores que evocam, em Coimbra, o escritor, o professor e o homem dedicado às artes, e que “deixou um legado inigualável”, é outro dos projetos integrados no programa promovido pela Câmara de Coimbra, para homenagear este nome de “grande importância para a literatura em Portugal”.

Régio “traduz o ambiente pleno de mudanças e revoltas, marcando o segundo modernismo português, espelhado na revista Presença” (publicação da qual foi editor e diretor).

Das 15 obras a reeditar, genericamente não disponíveis no mercado (a não ser em alfarrabistas ou fundos bibliográficos), constam, designadamente, "Há mais mundos" (Grande Prémio da Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores, 1963), "Confissão de um homem religioso" e "Textos políticos", "O Príncipe com orelhas de burro", "Três ensaios sobre arte" e "50 Poemas".

"Biografia de José Régio", de Eugénio Lisboa, e das antologias "Páginas escolhidas da Presença" e "Pensamento de José Régio sobre arte, literatura e religião" são também outras edições agora anunciadas.

As obras são reeditadas pelos municípios de Vila do Conde, de Coimbra e de Portalegre (cinco títulos cada um), em parceria com a editora Opera Omnia (detentora da maior parte dos direitos sobra a obra de Régio).

Nome literário de José Maria dos Reis Pereira, José Régio nasceu (1901) e morreu (1969) em Vila do Conde. Licenciou-se em Coimbra, em Filologia Românica, com a tese "As correntes e as individualidades na Moderna Poesia Portuguesa", trabalho no qual foi feita, pela primeira vez, a apologia dos poetas da revista Orpheu.

Foi professor em Portalegre durante mais de 30 anos.

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