"Branco" é o novo disco de Cristina Branco e vai ser o protagonista do concerto da cantora esta terça-feira, 15 de maio, no Teatro Tivoli BBVA.  "A digressão arrancou em Braga e está a correr muito bem. As nossas expectativas neste momento já foram ultrapassadas, o público está a perceber o que é o 'Branco'. Em Braga, por exemplo, deu para perceber como é que as coisas iam acontecer e o que se tem passado é uma confirmação daquilo que nós tínhamos imaginado", contou a cantora ao SAPO Mag.

Sobre o concerto em Lisboa, Cristina Branco explica que vai seguir a linha dos restantes espectáculos da digressão. "Não há surpresas nenhumas. Há uma componente de luz importante no espetáculo. A luz faz o espetáculo connosco, faz parte da música. É um concerto muito orgânico. Somos quatro músicos - três instrumentistas e eu. Aquilo que utilizamos no palco é apenas fruto das nossas capacidades", explicou.

"Há histórias que passam pelas músicas e eu vou contando as histórias. As pessoas vão entrando naquele universo e é muito bonito", acrescentou.

O disco "Branco"

Mário Laginha, Sérgio Godinho,  Jorge Cruz (Diabo na Cruz), André Henriques (Linda Martini) e Filho da Mãe, Kalaf (Buraka Som Sistema), Beatriz Pessoa, Nuno Prata, Peixe e Luís Severo são alguns dos músicos que participaram no disco. Os arranjos ficaram nas mãos de Luís Figueiredo (piano e percussão), Bernardo Moreira (contrabaixo) e Bernardo Couto (guitarra portuguesa).

"Os convites não são formais, é uma coisa mais fria", explica Cristina Branco. "Eles mandam três ou quatro coisas, algumas vão para trás e depois voltam. Ou seja, é uma coisa muito de músico. Nem sei muito bem explicar porque é a nossa forma de trabalhar. Pelo menos, a minha forma de trabalhar com eles", conta.

"Eu ouço, re-ouço e repasso. Há coisas que me custam imenso. É como quando tu estás a aprender. Eu estou a aprender, eu passo o tempo, felizmente, a aprender. E há coisas que eu estranho e que acho que não vou ser capaz de cantar - como na música do Jorge Cruz, a coisa das hérnias discais e das varizes. Sabes, senti um certo desnudar da mulher e não me apeteceu. Isto, de alguma forma, estava a ser um preconceito. Tudo o que eu não queria para o 'Branco'. Então, algum tempo depois, depois de uma semana a processar isto tudo, acabei por olhar para dentro e dizer aos rapazes 'vamos mesmo assumir as hérnias discais" e vamos canta-as. E ficou toda a gente contente", revela a cantora.

"Tens de entrar dentro dos textos, tens de construir. Tens de te encontrar dentro daquelas pessoas - para mim, são sempre pessoas... mesmo que se esteja a falar de uma situação e de ninguém em especial. Construo um quadro e tendo e entrar dentro dele. Tenho de fazer parte. Eu não posso estar apenas a cantar o outro, há qualquer coisa de mim que tem de passar para ali e vice-versa", acrescenta.

"Branco" chega dois anos depois de "Menina", o melhor disco do ano para a Sociedade Portuguesa de Autores ."Acho que é uma nova realidade. A partir do momento em que pedes às pessoas que colaboraram contigo no disco antigo, quando lhes pedes algo de novo dois anos depois, qualquer coisa muda em nós. Não só em mim enquanto cantora, mas neles também. O tempo atravessa-nos e é óbvio que estamos a falar de outras coisas. Eu neste disco, não pedi nada. Não pedi nenhum tema em especial. Pedi apenas que escrevessem sobre o que lhes apetecesse. Alguns acabaram de escrever sobre mim, eu acho. Outros sobre a vida e sobre a observação da vida lá fora. E o resultado é o 'Branco'", explica a cantora.

"Não encontro uma ligação entre 'Branco' e 'Menina'. Há talvez uma linha sonora que lhes pertence a eles e que nós fomos adaptar para a nossa linguagem. Mas eles já são pessoas diferentes, como eu sou. É outra coisa, portanto. 'Menina' fechou uma porta, 'Branco' abriu outra", confessa.

Ao SAPO Mag, Cristina Branco frisa que a criação do disco é um processo "lento". "Primeiro os autores enviam e depois está ali comigo uma data de tempo. Até que eu comece a ganhar coragem de mostrar aos Bernados e ao Luís e de começarmos a construir qualquer coisa", conta.

Não podes tratar uma ou outra música de forma menor

Depois de meses entre letras, acordes e gravações em estúdio, o disco chegou às lojas e aos serviços de streaming. "Ter o disco na mão é maravilhoso. Sei lá. É como se tu descobrisses outro passo da tua vida, da tua identidade. É incrível. Sai-te um peso de cima porque tu assumes a responsabilidade de dar vida a uma data coisas que também foram importantes para outras pessoas. Não podes ser leviano. Não podes tratar uma ou outra música de forma menor. Tens sempre de edificar tudo aquilo. Ou seja, eles entregam-te a matéria prima e tu tens de edificar, sempre. Tens de fazer mais, tens de fazer melhor, tens de partir para a tua cena. Mas tens que dar o nome dos outros, tens de dar a cara dos outros e isso é um peso tremendo", frisa.

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