Não são músicos profissionais, mas têm compositores nacionais a escreverem propositadamente para eles, maestros, professores e concertos marcados na Casa da Músico, no Porto, no sábado, e no Campus da Fundação EDP, em Lisboa, no domingo.

A sinfonia que vai fazer-se ouvir é da Orquestra Energia Fundação EDP, que reúne crianças e jovens dos seis ao 16 anos de Amarante, Murça e Mirandela atraídos por um projeto que não procura talentos musicais, mas incluir através da música.

“Eu sinto-me realizada porque há muita gente que gostava de tocar nestes espaços e não tem essa oportunidade e eu sinto-me mesmo muito privilegiada por poder participar”, partilhou Francisca Carvalho.

A Lusa encontrou a jovem de Amarante no bulício da preparação para mais um ensaio, ao final da tarde de sexta-feira, em Mirandela, substituído pela harmonia das notas musicais ao sinal do premiado maestro José Eduardo Gomes, responsável pela direção musical do projeto.

O desafio que tem por estes dias “é tentar uni-los e que toquem a uma só voz”, já que a Orquestra Energia junta crianças e jovens das três Orquestras Geração que alimentam o projeto durante o ano em Amarante, Murça e Mirandela.

“É um privilégio para eles estarem neste projeto e terem concertos na Casa da Música, em Lisboa, etc, com todo este apoio: professores, compositores que escrevem para eles, música absolutamente dedicada e expressamente composta para eles, isso não é para qualquer um e, por isso, acabam por ser também uns privilegiados e têm que aproveitar esta oportunidade”, defendeu o maestro.

O reportório dos concertos na Casa da Música e no Campus da fundação EDP “é variado” e baseia-se “em obras famosas ou em temas populares portugueses ou em canções”.

O futuro dirá, como disse, se este jovens seguem ou não uma carreira ou não musical, mas o que releva deste projeto é a componente social.

Francisca Carvalho está “há sete/oito anos” no polo de Amarante. Já tocava violino e uma professora achou que ela se adequava a este projeto porque “era uma pessoa muito reservada” “Ela achava que a orquestra me ia ajudar e ajudou: dá-me um refúgio onde eu me posso confortar quando estou menos bem e quando também estou bem”, contou, acrescentando sorridente que até conseguiu superar os resultados escolares e chegou “a ser a melhor da turma”.

Teresa Rodrigues é de Mirandela e é mãe de um dos músicos desta orquestra, que começou a estuda música e quer “seguir composição” depois desta experiência.

O filho toca trompa e ela passou “a gostar mais de música clássica” e acaba a “estudar com o filho” porque ele pergunta-lhe “coisas” e ela também acaba “por aprender” nesta troca de experiências.

Teresa realçou ainda que este projeto “é uma forma daqueles que não têm possibilidade, estudarem música”.

O fim de semana de concertos no Porto e em Lisboa “é o resultado de um ano letivo de trabalho, com direção artística e pedagógica da Casa da Música”, que se juntou ao projeto há dois anos, como indicou à Lusa Sandra Santos da Fundação EDP.

O projeto foi lançado há sete anos e já envolveu um total de “350 crianças e jovens”.

“O foco é social e não artístico. Não estamos aqui à procura de talentos na área da música, no entanto todos eles de forma direta ou indireta ficam ligados à música: uns porque seguem depois os estudos na música e outros porque seguindo outra área nunca deixam de estar ligados ao projeto”, explicou.

Os critérios de seleção destas crianças e jovens são “o comportamento, baixo rendimento escolar, aqueles que estão economicamente mais fragilizados ou até familiarmente mais frágeis”.

“É esse o principal objetivo: promover o sucesso escolar, é transmitir outros valores a estas crianças, aproximar as suas famílias também do seu percurso académico e, por outro lado, também aumentar a autoestima das crianças e dos pais”, concretizou.

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