“Trata-se uma candidatura que se chama ‘Borders’, que organizámos com sete parceiros internacionais acerca das questões da fronteira, territorial e psicológica, e como é que conseguimos bater as fronteiras através da arte, com artistas que trabalham esta noção de fronteira, mas também através de projetos de reflexão de como é que os teatros e as associações culturais são ou não uma fronteira para os diversos públicos”, explicou.

Acrescentando tratar-se de um projeto que detém “uma componente de autoanálise sobre o que são hoje em dia as grandes instituições culturais, se elas são verdadeiramente abertas, democráticas ou se existem barreiras”, Tiago Guedes explicou ser possível através dele “pensar, refletir e convidar pessoas de outras áreas a refletir também”.

“Haverá também uma programação que se vai debruçar sobre esta ideia de fronteira, de 'territórios tampão'”, anunciou Tiago Guedes de um projeto com “financiamento garantido para as próximas duas temporadas".

De acordo com a informação na página do teatro municipal, o projeto "Moving Borders", dirigido pelo Hellerau - European Centre of the Arts, em Dresden, na Alemanha, conta também com as entidades Le Maillon (Estrasburgo-França), Ringlokschuppen (Ruhr-Alemanha), Spring Performing Arts Festival (Utrecht-Holanda), Performing Arts Institute (Varsóvia-Polónia) e Onassis Cultural Centre (Atenas-Grécia).

"Ao longo de dois anos, a rede irá investigar e trabalhar em conjunto com um curador e desenvolver sete edições artísticas com a comunidade em cada uma das sete cidades europeias, pensadas à medida do seu contexto demográfico, histórico e artístico", esclarece a página do teatro.

O apoio da Europa Criativa, programa comunitário de apoio financeiro a projetos de caráter audiovisual, cultural e criativo, traduz-se em 200 mil euros.

Sobre o futuro Polo III do Teatro Municipal do Porto, o responsável revelou que “vai funcionar só dedicado à criação e aos ensaios”, e que “não será um espaço de apresentação, mas uma ferramenta de trabalho, acima de tudo, para os artistas e para as companhias da cidade terem mais condições de trabalho”.

O Polo III está previsto funcionar na antiga escola José Gomes Ferreira, no Porto, tendo, para o efeito, sido adjudicado há um mês, pela empresa municipal DomusSocial, o procedimento concursal de obras, com o valor-base de 755 mil euros e o prazo de execução de 170 dias.

Em declarações após a apresentação da programação para 2019/2020 do Teatro Municipal do Porto, Tiago Guedes admitiu, em comparação com as temporadas anteriores, “ser esta porventura, a mais política”.

“Temos vários projetos que cruzam as questões das migrações, dos regimes totalitários, do teatro documental, temos muito olhar dos artistas sobre o mundo”, argumentou.

Precisando ser “uma programação que tenta ser uma lupa de várias questões problemáticas que acontecem no mundo de hoje”, salientou, contudo, que “segue muito as linhas principais do Teatro Municipal do Porto, uma forte programação internacional e um grande apoio às companhias e artistas locais”.

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