Depois da estreia, em dezembro de 2014, "Marco Polo" está de volta com mais uma dezena de episódios centrados no explorador e mercador italiano, em especial no seu contacto com a corte de Kublai Khan, líder do Império Mongol, na China do século XIII. De volta estão também muitos atores de um elenco internacional liderado pelo quase estreante Lorenzo Richelmy, no seu primeiro papel com exposição global. Entre os secundários conta-se o veterano Pierfrancesco Favino, que desde os anos 1990 se tem destacado no cinema dentro e fora de portas e que vimos nos últimos anos em filmes como "WWZ - Guerra Mundial", "Rush - Duelo de Rivais" ou o mais recente "Suburra". Num encontro com jornalistas em Milão, os dois atores italianos da maior produção do serviço de streaming deixaram pistas sobre o que aí vem e recordaram a primeira temporada da série.

SAPO MAG - O que podemos esperar da segunda temporada de "Marco Polo"?

Lorenzo Richelmy - Tem tudo aquilo que o público queria na primeira. Demos o próximo passo, aumentámos os riscos tanto da história como das personagens. Na primeira temporada queríamos apresentar este mundo ao público, dar conta dos seus contornos, da sua essência, do seu ritmo. E agora podemos aproveitá-lo melhor, há mais substância... Todas as personagens vão revelar um lado que ainda não conhecemos sobre o que são, o que pensam, a sua identidade. A abordagem é mais negra e mais interessante desta vez.

SAPO MAG - Os primeiros episódios são de facto mais negros e também mais violentos...

Lorenzo Richelmy - A violência dos primeiros capítulos é justificada porque nos revela mais sobre o Kubai e os eventos que o marcaram e fizeram dele o que é. Fazem com que possamos compreendê-lo melhor. É uma personagem por vezes cruel, mas também é um reflexo do seu tempo e das imposições a um homem da sua posição. Vemos o seu lado negro mas ele tem outras facetas ao longo da temporada. O pico de violência dá-se logo nos primeiros episódios, depois a série avança noutras direções.

Pierfrancesco Favino - Todas as personagens estão a arriscar mais porque querem mais de si e do seu mundo. E a violência surge na sequência disso, de toda essa ambição, não só através do sangue mas de estratégias, política, ou mesmo do amor. E isso acaba por elevar as ambições e riscos da história, levá-la para um outro nível e escala face à primeira temporada.

SAPO MAG - Como construiu a personagem de Marco Polo? Investiu na pesquisa de arquivo ou viu outros filmes e séries sobre a figura?

Lorenzo Richelmy - Não fui ver filmes nenhuns. O [criador e produtor executivo] John Fusco deu-me várias coordenadas para a personagem e acabámos por a moldar em conjunto. Foi um desafio porque não sabia falar inglês, precisei de aprender, nem tinha participado num projeto internacional. Mas nesta segunda temporada estou mais seguro e à vontade com a personagem, o que também vai de encontro ao reforço de confiança do Marco, um rapaz que está a tornar-se num homem. O que o motiva é a curiosidade, afinal é um rapaz de 17 anos que já viajou por muitas partes do mundo e fica sozinho numa cultura diferente. E fica porque escolhe ficar, é a primeira figura ocidental que permanece naquele contexto e faz a ponte entre o Ocidente e o Oriente. O que o motiva é essa união de várias partes do mundo numa só.

SAPO MAG - A personagem do pai de Marco Polo, Niccolò, tem apenas algumas aparições na primeira temporada, mas ainda assim é determinante. Na segunda vai seguir esse modelo?

Pierfrancesco Favino - Sim, tenho uma presença ao nível da da primeira temporada e fiz questão de agarrar a oportunidade. Estou muito contente por me terem convidado e não estava à espera de regressar. E o público vai perceber que há um motivo para ter voltado, até porque a ausência do pai acabou por influenciar a relação pai-filho que o Marco tem com o Kubai.

SAPO MAG - Ao longo da sua carreira teve vários papéis diferentes em produções italianas e internacionais, no cinema e na televisão, em blockbusters e cinema de autor. Que diferenças ou desafios encontrou em "Marco Polo"?

Pierfrancesco Favino - Sempre me interessei por coisas muito diferentes, por isso colaborar com um projeto pioneiro como a Netflix vem trazer mais um desafio. Ainda por cima esta série em particular é uma produção em grande escala que não fica nada atrás de alguns blockbusters em que participei. E apesar de já ter integrado muitas produções, esta foi a primeira vez em que participei numa com pessoas 38 nacionalidades numa parte do mundo que não conhecia, a Malásia.

SAPO MAG - Alguma crítica apontou semelhanças entre "Marco Polo" e "A Guerra dos Tronos", nem sempre de forma favorável para a primeira. Considera que essa comparação faz sentido?

Lorenzo Richelmy - A única aproximação é o facto de ambas serem séries épicas. Mas ninguém compara "Orange Is the New Black" com "Prison Break", que apesar de se desenrolarem em prisões são série completamente diferentes. E aqui passa-se o mesmo. Claro que podes sempre comparar "Marco Polo" e "A Guerra dos Tronos" quanto à escala, mas são séries completamente diferentes em tudo o resto, desde logo porque estamos a partir de factos verídicos e grande parte da ação decorre na Ásia. O que têm em comum é superficial.

SAPO MAG - Como decorreram as filmagens desta segunda temporada?

Lorenzo Richelmy - Filmámos durante seis meses e tivemos uma preparação de dois meses antes. E estivemos juntos durante todo este tempo, acabou por se formar uma grande família multicultural.

Pierfrancesco Favino - No fundo demos corpo ao potencial da globalização, da forma mais positiva possível. Tivemos muitas nacionalidades a colaborar num projeto de difusão global. E é curioso ter gente de todo mundo que se junta para contar uma história sobre... gente de todo o mundo que se junta, na primeira situação histórica em que isso ocorreu.

Lorenzo Richelmy - Sim, estamos a contar uma história que é praticamente desconhecida, o que é meio estranho, porque se trata do maior império já existente. O império mongol era muito maior do que o romano, mas é muito menos falado, sabemos muito menos sobre ele. Isso não é estranho? Sobretudo quando marcou uma interação tão forte e inédita entre dois mundos. Sabemos muito da nossa história, mas não sabemos muito da deles. Por isso sinto-me muito orgulhoso por ajudar a contar uma história importante e entreter as pessoas ao mesmo tempo, sobretudo através de alguém tão marcante como Marco Polo, que nunca foi retratado desta forma.

O SAPO MAG viajou a convite da Netflix.

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