"Há sempre qualquer coisa de novo que cada história traz. Esta traz uma história verdadeira. Não é só mais um caso de tráfico de droga, é um caso muito específico e muito louco", conta Lúcia Moniz ao SAPO Mag, entre risos, durante uma entrevista em Lisboa na apresentação à imprensa de "Operação Maré Negra".

O caso "muito específico e muito louco" que inspirou a coprodução luso-espanhola da Amazon Prime Video é daqueles em que a realidade parece ser mais estranha do que a ficção - e que aqui lhe serve de motor criativo. Thriller parcialmente filmado em Portugal (o SAPO Mag acompanhou parte da rodagem), a minissérie parte da história do submarino artesanal que em 2019 atravessou o Atlântico com três toneladas de cocaína - avaliadas em 90 milhões de euros - e três pessoas a bordo, de nacionalidade equatoriana e espanhola. Oriundo da América do Sul, acabou por ser intercetado na Galiza e passou por águas portuguesas.

Operação Maré Negra

"Houve várias coisas que me chamaram a atenção e fizeram com que considerasse um desafio novo. O facto de ser uma série de ação" e de "juntar várias nacionalidades", conta a atriz, que aqui testa um registo diferente daquele a que é mais associada ao lado de um elenco internacional - que inclui os conterrâneos Nuno Lopes e Luís Esparteiro, os brasileiros Leandro Firmino ("Cidade de Deus") e Bruno Gagliasso ("Marighella"), o espanhol Álex González ("Príncipe") ou o colombiano David Trejos ("Perdida").

A diversidade de geografias também se reflete na realização, a cargo dos espanhóis Daniel Calparsoro ("Hasta El Cielo") e Oskar Santos ("A Unidade") e do português João Maia ("Variações"). "Fui ver alguns trabalhos do Daniel para perceber qual era a dinâmica de realização, qual é a estética dele. Isso atrai-me muito, gosto de ir à procura de coisas novas nesse aspeto, do resultado final. E obviamente de fazer parte disso e de colaborar com isso", assinala.

Operação Maré Negra

Lúcia Moniz encarna Carmo, uma agente policial no rasto dos três homens em fuga. "Nunca tinha feito uma mulher, uma inspetora, pouco transparente nas suas emoções", conta. "Sempre tive papéis em que deito mais para fora, onde está mais à flor da pele aquilo que a pessoa sente. Aqui, não, é uma coisa mais contida, mais controlada", assinala, destacando o foco "muito profissional" da sua personagem.

A jornada dos perseguidos e perseguidores domina os quatro episódios, de cerca de 50 minutos cada, da produção conjunta da Ficción Producciones (Espanha), Ukbar Filmes (Portugal) e RTP. E marca a mais recente coprodução internacional a envolver o canal público português, depois de "Auga Seca" (disponível na HBO), "3 Caminos (também com a Amazon), e "Glória" (Netflix), uma tendência potenciada pelos serviços de streaming.

"Há muita coisa a acontecer, e isso é um ótimo sinal", aplaude a atriz. "Não só em quantidade, mas também pelo facto de vir de vários países, não ser só centrado na grande indústria dos EUA ou outros países equivalentes", contrasta. "Agora há produções de todo o mundo e essa é a grande mais-valia das plataformas".

Depois da estreia na Amazon Prime Video, esta sexta-feira, 25 de fevereiro, "Operação Maré Negra" também poderá ser vista na televisão linear, na RTP1, a partir de 14 de março.

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