Desde meados dos anos 1980, Graham McTavish tem sido visto em dezenas de séries e filmes, depois de um arranque na interpretação em teatros do Reino Unido. Mas o grande público talvez se lembre mais do ator de 56 anos na pele de Dwalin, o anão guerreiro dos três filmes inspirados em "O Hobbit", embora haja outras sagas sonantes neste percurso (de Lara Croft a Rambo).

Mais recentemente, McTavish tem integrado o elenco regular da série "Outlander", na pele do pérfido Dougal, e junta mais uma figura pouco simpática à lista em "Preacher". O Santo dos Homicidas já era uma das personagens mais carismáticas da aclamada banda desenhada de Garth Ennis e Steve Dillon e esse estatuto manteve-se na série que começou a adaptá-la no ano passado. Obcecado por uma caça ao protagonista, o pistoleiro com capacidades sobrenaturais volta a marcar presença na segunda temporada da produção, que estreia no AMC Portugal a 27 de março, às 22h10. Antes, falou com o SAPO Mag e não escondeu o entusiasmo de um papel de sonho:

SAPO Mag - Já conhecia a saga de "Preacher" na BD?

Graham McTavish -
Sim, era um grande fã dos livros e li a saga toda muito antes de se falar sequer de uma série. E a minha personagem favorita era mesmo o Santo dos Homicidas, por isso quando tive a oportunidade de o interpretar, foi ótimo. Mas também senti a responsabilidade de ser tão fiel quanto possível à personagem para não desiludir os fãs mais acérrimos, entre os quais me incluo.

Santo dos Homicidas

Essa expectativa dos fãs intimidou-o, tendo em conta que o Santo dos Homicidas é das figuras mais icónicas da saga?
Quando vesti aquele casaco e coloquei aquele chapéu, percebi que essa aura gerava uma grande expectativa. E por isso senti-me obrigado ser o mais fiel possível à visão original da BD, que tentámos manter na série, e não fazer nada que comprometesse a identidade da personagem. É uma figura vingativa, sem remorsos, e tentei passar essa faceta obstinada.

Como têm sido as reações à personagem na série televisiva?
As reações têm sido muito boas. A maioria dos fãs tem estado a gostar tanto da série como da forma como encarno o Santo dos Homicidas. Sei que também é a preferida de muitos fãs, juntamente com algumas novas caras da segunda temporada, por isso fico contente por ver que não os desiludi.

Tem um percurso muito vasto, da televisão ao cinema, passando pelo teatro e até pelos videojogos. O que é que encontrou de novo em "Preacher"?
É verdade, já fiz muita coisa muito diferente, mas é curioso que um dos papéis mais recentes tenha sido no cinema, com "O Hobbit", baseado numa saga literária de culto, e que agora esteja a participar numa série que adapta uma BD de culto. Mas apesar das diferenças das personagens e universos, o princípio é sempre o mesmo: manter-me fiel à ideia matriz dos criadores desses mundos e aos conceitos incríveis do material original. São sagas populares por alguma razão, por isso tento não defraudar os fãs mais antigos enquanto chego aos novos.

Na BD, o Santo dos Homicidas chegou a ter aventuras em nome próprio. Há alguma possibilidade de um spin-off? Gostaria que acontecesse?
Sim, sim (risos). Adorava que isso acontecesse. Mas por agora acho que nos vamos concentrar mesmo na saga de "Preacher", na grande história que temos para contar na segunda temporada e na que se seguirá. Ainda por cima há muitas ótimas novas personagens que vão entrar em cena nesta fase, tanto as que os fãs da BD já estão à espera como uma ou outra surpresa. Acho mesmo que temos de aproveitar ao máximo a interação de todas estas figuras impressionantes.

Santo dos Homicidas

Além da expectativa dos fãs, qual foi o maior desafio ao encarnar o Santo dos Homicidas?
Acho que é mesmo ter de andar de um lado para o outro com uma grande cinto de balas atrás. (risos) Nos livros vemos sempre o Santo dos Homicidas com a mesma postura rígida, a caminhar, sem perceber como se senta ou até como anda ao certo. E em imagem real a linguagem corporal é muito diferente, sobretudo quando a personagem está sempre zangada e de um lado para o outro. Quer dizer, acho que nem tem tempo de ir à casa de banho (risos). E nem sei como poderia ir já que nunca tira o casaco nem o cinto de balas. E tenho de andar sempre com o casaco e o cinto de balas nas gravações. Sempre! (risos) Isso é mesmo algo inédito para mim...

O que é que pode avançar para já sobre a segunda temporada de "Preacher"?
Na primeira temporada tentámos apresentar as personagens, a forma como estão interligadas, torná-las próximas dos espectadores. E na segunda abrimos-lhes outros horizontes, damos-lhes mais vida e tornamos o espírito da BD muito mais palpável. Vamos apresentar várias novas personagens e situações absolutamente loucas, ainda mais do que na primeira temporada. Uma das grandes forças de "Preacher" é a de que folheio uma BD ou vejo um episódio e encontro sempre pelo menos uma cena completamente insana e inesperada. E acho notável que a série tenha mantido essa vertente dos livros, tanto que às vezes nem acredito que se atreveu a ir tão longe. Isso acontece em todos os episódios e é o que mais me entusiasma.

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