Um duelo mítico entre a Walter PPK versus a pistola dourada, Bond enfrenta Scaramanga no «main event» de
«The Man with the Golden Gun». Se preferirem, Roger Moore num mano a mano com
Christopher Lee. Bond tem a cabeça a prémio mas não de maridos enganados, alfaiates humilhados ou chefes ofendidos mas de um vilão com fatos de linho e calças à boca de sino que reside numa ilha paradísica que esconde um labirinto mortal.

Francisco Scaramanga é um assassino invisível, criado no circo, a sua mãe era uma encantadora de serpentes, aos dez anos era um atirador exímio e foi educado na escola da KGB até se tornar independente. As suas marcas registadas além da pistola dourada são o seu mamilo adicional, uma amante escandinava e o fiel mordomo Nick Nack (Hervé «the plane! the plane!» Villechaize). Bond passeia o seu charme e distribui fruta entre locais exóticos e pelo meio de dançarinas do ventre em Beirute, um fabricante de armas português em Macau e um xerife redneck de férias em Banguecoque (J. W. Pepper em repeat após
«Live and Let Die»).

É curioso como a produção não deixou passar em claro o «afundanço» do paquete RMS Queen Elizabeth ao largo de Hong Kong para recriar um cenário com humor e brilhantismo no seu interior. As senhoras do filme, como manda a regra, são uma fantasia erótica e, como não bastasse neste cocktail de classe, machismo e sátira, as mulheres sensuais têm nomes a condizer como a agente Goodnight e uma ninfa aquática de seu nome Chew Mee.

A ação, à exceção do duelo ao sol, roça o burlesco mas para os mais fieis as perseguições nos canais de Banguecoque, carros voadores e outros números de circo valem a licença para entreter. Deste 007 o único tiro certeiro reside para sempre na memória do vilão Scaramanga.

Jorge Pinto

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