Daniela Melchior ficou conhecida pelo público português ao participar em produções do pequeno ecrã como "Massa Fresca", "Ouro Verde",  "A Herdeira" ou "Valor da Vida". Já no cinema, a jovem atriz estreou-se em "O Caderno Negro" e coprotagonizou, ao lado de Diogo Morgado, o filme "Parque Mayer", de António-Pedro Vasconcelos.

Aos 23 anos, a atriz portuguesa prepara-se agora para chegar aos grandes ecrãs de todo o mundo - Daniela Melchior foi escolhida entre mais de 300 candidatas e vai ser uma das estrelas da sequela de "Esquadrão Suicida", com estreia agendada para agosto de 2021.

Em gravações desde o final de setembro, a atriz tem contracenado com Margot Robbie, Idris Elba, John Cena e Jay Courtney, sempre às ordens de James Gunn. Dias antes do Natal e das celebrações do final do ano, as rodagens em Atlanta, nos Estados Unidos, foram interrompidas para uma pequena pausa e Daniela Melchior aproveitou o "intervalo" para regressar a Portugal.

DANIEL MELCHIOR

"Estamos a gravar desde setembro e neste momento estamos a três quartos do filme. Voltamos às gravações em janeiro e terminámos no final de fevereiro", contou a atriz em conversa com o SAPO Mag.

Os primeiros passos

Apesar de ter apenas 23 anos, a representação já faz parte da vida de Daniela Melchior há muito. "Eu tinha aulas de expressão dramática no colégio onde andei desde os meus três anos até ao nono ano. E tive aulas de expressão dramática desde o sétimo ano e comecei a perceber que gostava disto, de, às vezes, poder não ser eu. No nono ano, decidi ir para Artes, Espetáculo e de Interpretação e estudei durante o secundário Teatro. No meu último ano, fiz, então, a minha primeira telenovela. E, pronto, a partir daí, não parei mais", recorda a atriz em entrevista ao SAPO Mag.

O primeiro papel no pequeno ecrã chegou em 2014, na novela "Mulheres", da TVI. Até conquistar o seu primeiro trabalho, a atriz conta que fez vários castings. "Foi uma fase de castings, fui sempre fazendo, sem ter garantias e sem expectativas de nada. Fui fazendo casting atrás de casting, sempre com o não garantido", lembra.

"A partir do momento em que entrei no mercado da televisão portuguesa, acho que o maior desafio ou a minha maior preocupação foi ir continuando a trabalhar. Aqui em Portugal é difícil ter trabalho garantido", confessa.

Depois da telenovela "Mulheres", seguiram-se novos projetos na TVI - "Massa Fresca" (2016), "Ouro Verde" (2017), "A Herdeira" (2017) e "Valor da Vida" (2018). Já a primeira aventura no cinema aconteceu em 2018, no filme "O Caderno Negro (filme)", seguindo-se "Parque Mayer", de António-Pedro Vasconcelos.

O filme "Parque Mayer" e o primeiro contacto internacional

E foi graças ao trailer do filme "Parque Mayer" que surgiu o primeiro contacto de um agente norte-americano, revela a atriz: "Um agente de Los Angeles viu o trailer do filme ‘Parque Mayer’, mesmo sem legendas. Ele gostou e achava graça sempre que eu aparecia. Disse que eu tinha uma energia que o fazia querer ver mais cenas... Não sei, nem ele próprio sabe explicar. A única coisa que ele sabia era que tinha de contactar a minha agente e foi isso que fez: enviou e-mail à minha agente a dizer que gostava de me representar internacionalmente".

DANIELA MELCHIOR

"A partir daí, tive várias conversas por Skype com ele para perceber se os objetivos dele para mim enquanto atriz eram os mesmos que os meus... se, de facto, havia a possibilidade de conseguir a ter trabalhou ou não. Decidimos seguir em frente sempre sem compromissos: eu não tinha garantias que iria ter trabalho. A partir daí, fui fazendo self tapes e na do 'Esquadrão Suicida" aconteceu ficar", conta ao SAPO Mag.

O casting para a sequela de "Esquadrão Suicida"

Apesar de não ter muita informação, a atriz portuguesa gravou a sua self tape e depois foi chamada para fazer um casting presencial. "Na altura, tudo era super secreto porque eles não queriam dar informação a quem não ficasse no filme. Não diziam qual era a personagem, foram explicando como é que ela seria para eu conseguir dar o meu melhor no dia da audição", recorda.

"Mandaram-me duas cenas em texto para decorar e, através das cenas, consegui perceber mais um bocadinho como é que a personagem era. No dia antes da audição, tive uma reunião com o produtor executivo e com o realizador que continuaram sem dar muitos pormenores, mas que me explicaram mais ou menos o que é que esperavam para o dia da audição", conta a atriz ao SAPO Mag, frisando que o "casting e correu bem".

"Mas não sai de lá com o sentimento que tinha conseguido. Por acaso, não. É curioso: quando eu acabei o casting, o James Gunn disse-me que tinha gostado muito do casting... mas pensei que era uma coisa que se dizia a toda a gente, talvez. E, antes de me ir embora, ele disse-me: 'Olha, o quer que seja que aconteça, promete-me só uma coisa: por favor, mantém-te uma boa pessoa'. E eu, quando liguei ao meu agente a contar como é que o casting correu, eu disse-lhe 'Não fiquei, aquilo foi uma despedida. O homem já me conheceu, já se despediu de mim e não sei quando é que o vou voltar a ver. Mas afinal não era uma despedida, tinha mesmo gostado muito do meu casting e para ele era eu que ficava", recorda.

DANIELA MELCHIOR

"Mas ele não me conhecia, nem conhecia ninguém que tivesse trabalhado comigo... ele não sabia se era fácil trabalhar comigo ou se ia ser uma má experiência. Porque nos Estados Unidos, com atrizes que já trabalham lá, é fácil ligar a alguém e perguntar se é fácil trabalhar com certa atriz ou não. Comigo era um tiro no escuro porque ninguém me conhecia, nem tinham maneira de ter referências. Mais tarde percebi que não foi uma despedida, mas foi mesmo um pedido - 'Por favor mantém-te assim porque vais entrar a bordo deste barco'", conta.

A chamada de James Gunn

Depois de fazer o casting presencial, Daniela Melchior recebeu uma chamada do realizador James Gunn, que não atendeu à primeira por não saber a quem pertencia o número. "Fiquei super feliz, agradeci imensas vezes ao James Gunn, logo na chamada. Agradeci muitas, muitas vezes o voto de confiança porque eles basearam-se no meu casting em vídeo e em uma hora e meia de casting pessoalmente. Percebo a dimensão deste tipo de filmes e a confiança que é preciso para ir buscar uma atriz estrangeira que não conhecem de lado nenhum e que nunca viram o trabalho em lado nenhum", frisa.

As gravações e os maiores desafios

Em maio de 2019, surgiram as primeiras notícias sobre a escolha de Daniela Melchior para um papel na sequela de "Esquadrão Suicida". Apesar de não haver nenhuma confirmação oficial, a revista Variety, avança que a atriz deverá interpretar o papel de Ratcatcher - na BD da DC Comics que o filme adapta, que reúne uma série de vilões numa missão potencialmente suicida, Ratcatcher é uma personagem masculina, um dos inimigos de Batman, que tem o talento de comunicar com ratazanas e treiná-las para agir como bem entende.

DANIELA MELCHIO

Apesar de o filme só estrear em agosto de 2021, as gravações arrancaram em setembro e já se encontram na reta final - a rodagem termina em fevereiro. "É muito bom trabalhar com esta equipa, eles são muito acessíveis e disponíveis. Estou sempre a aprender coisas novas, como atriz ou sobre a indústria ou sobre a cultura norte-americana. Estou a viver ao máximo cada dia de trabalho... e não só, cada dia de folga. Mas a maior parte dos fins de semana, acabamos por combinar muitas coisas em grupo e estamos sempre todos juntos", conta a atriz portuguesa ao SAPO Mag, sublinhando que não pode revelar detalhes sobre a sua personagem.

"Tinha muito receio que o meu inglês não fosse bom o suficiente para me fazer entender. Tinha receio de ter dificuldades em decorar o texto ou em improvisar cenas. Depois da reunião que tive com o James Gunn, ele explicou-me que o guião está fechado e que decorando o meu texto não tenho de me preocupar com mais nada. O meu sotaque não é assim tão difícil de compreender", confessa.

Apesar dos receios e dos desafios, a atriz sente que tem sempre o apoio de toda equipa. "O objetivo deles é sempre que o filme seja o melhor possível e que a nossa prestação corra o melhor possível. Portanto, todas as minhas preocupações sobre o meu inglês ou sobre a minha prestação, desapareceram nessa reunião", frisa ao SAPO Mag.

De olhos no futuro

Apesar de se estar a estrear na indústria cinematográfica norte-americana, a atriz espera poder continuar a abraçar projetos fora de Portugal. "Isto foi mesmo um acaso do destino que correu bem. Não era nada um objetivo. Mas a partir do momento em que fui fazer a audição, mesmo antes de saber se ficava ou não, é que percebi que 'ok, se estou aqui é porque devo ter algumas capacidades enquanto atriz... Por isso, mesmo que não fique, vou levar mesmo isto a série e vai passar a ser um objetivo'", conta.

"Depois de saber que fiquei no filme e depois de começar as gravações, isso tornou-se prioridade, tentar uma carreira internacional", garante.

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