«É um problema da justiça», afirmou o eurodeputado ecologista
Daniel Cohn Bendit, numa crítica que focava principalmente o ministro da Cultura francês,
Frederic Mitterrand, por se ter metido no assunto e defendido o cineasta Roman Polanski,
preso no Sábado na Suíça (que tem um acordo de extraditação com os EUA) devido a uma fuga à lei norte-americana em 1978, após se ter declarado culpado de ter tido relações sexuais com uma jovem de 13 anos no ano anterior.

No domingo, Mitterrand comentou que a prisão de Polanski é algo «absolutamente espantoso», visto que, de acordo com o político, a causa é «uma história velha que não faz realmente sentido».

«É uma história muito difícil, porque é verdade que houve uma violação a uma menina de 13 anos», disse Cohn Bendit, que durante a campanha para as eleições europeias de Junho passado foi acusado de ter escrito um polémico livro em 1975 sobre a sexualidade infantil.

O cineasta e produtor francês
Luc Besson também se distanciou dos numerosos artistas que denunciaram «uma armadilha policial» contra Polanski, de 76 anos, vencedor do Óscar em 2002 pelo filme
«O Pianista».

«Tenho por ele grande estima, é um homem que aprecio muito e conheço um pouco porque nossas filhas são muito amigas, mas há uma justiça e é a mesma para todos», afirmou Besson.

Polanski fugiu da justiça dos Estados Unidos desde 1977 por ter mantido relações sexuais ilegais» com uma adolescente de 13 anos. O realizador de
«A Semente do Diabo» tinha então 43 anos.

Polanski foi preso no sábado ao desembarcar na Suíça, onde ia receber um prémio pela sua carreira no Festival de Cinema de Zurique.

Mais de cem artistas assinaram uma petição de apoio ao cineasta, que vive em Paris desde o fim dos anos 70.

«O facto de pertencer à casta superprotegida do jet-set não desobriga os seus membros de respeitar as leis e autoriza-os a evitar processos judiciais durante 30 anos?», indagou de forma brutal
Marine Le Pen, filha do líder da extrema-direita francesa Jean Marie Le Pen.

O seu pai já havia criticado os ministros da Cultura e dos Negócios Estrangeiros,
Bernard Kouchner, pelo apoio expressado a Polanski.

A presidente da L'enfant bleu, associação de defesa dos direitos da criança, expressou «surpresa diante do alvoroço mediático» gerado pela detenção de Polanski, que vive com a actriz e cantora francesa
Emmanuelle Seigner.

«Creio que as pessoas estão a confundir as coisas: este homem é, sem sombra de dúvidas, um homem talentoso, mas é também um homem e portanto está submetido às regras sociais do nosso mundo», considerou
Brigitte Bancel Cabiac, que também se disse surpreendida com o facto de «a justiça dos Estados Unidos ter demorado tanto tempo para prendê-lo», sendo Polanski um artista tão conhecido.

SAPO/AFP

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