O título em português dá bem a entender o que está no centro do filme:
«Sex Tape: O Nosso Vídeo Proibido». Só que aqui há um suplemento tecnológico que torna a vida mais difícil aos dois protagonistas, que veem o seu vídeo sobre uma noite de sexo a espalhar-se pela vizinhança. É que o casal interpretado por
Jason Segel e
Cameron Diaz, que resolve fazer a tal «sex tape» para estimular a relação numa noite em que os filhos estão fora de casa, regista o momento no iPad e coloca a seguir o ficheiro numa cloud, que afinal é partilhada por outros amigos. Como a personagem de Segel compra iPads compulsivamente e vai oferecendo os antigos a outras pessoas, estas têm agora acesso ao vídeo de sexo caseiro do casal. A solução, no entender pouco avisado do protagonista, é recuperar os iPads todos antes que alguém descubra o que sucedeu.

«Sex Tape: O Nosso Vídeo Proibido» é realizado por
Jake Kasdan, que já tinha trabalhado com os dois protagonistas em
«Professora Baldas». O SAPO Cinema esteve em Barcelona à conversa com a dupla de protagonistas do filme, numa entrevista abundante em gargalhadas e descontração.

«Sex Tape» é uma comédia sem preconceitos que envolve o sexo e a proteção da intimidade. É também um alerta em relação a novas tecnologias?
Jason Segel (JS) -
Sim, porque a tecnologia está sempre a mudar. A moral da história é, se fizerem uma «sex tape», tenham cuidado e protejam-na. E é também a de que é importante um casal manter sempre a chama acesa e fazer tudo aquilo com que ambos se sentem confortáveis. Acho que não há nada de errado no facto de um casal fazer uma «sex tape» para apimentar a relação. Vale tudo dentro de portas e entre adultos maiores e vacinados. Tenham só cuidado com a tecnologia e com a internet...

Sendo celebridades, já foram vítimas desse lado mais negro da internet?
Cameron Diaz (CD) –
Claro. Eu não vejo nada sobre mim na internet. A maioria do que lá está é um disparate, há odio a mais…

JS – Há algo relacionado com o anonimato da internet que faz com que as pessoas se sintam muito confortáveis em odiar-nos com toda a força (risos). Toda a gente tem uma voz na internet, o que de certa forma é uma coisa maravilhosa. Mas se há 10 milhões de pessoas e só 1% nos odiar, o que é muito bom porque quer dizer que 99% gosta de nós, mesmo assim são 100 mil pessoas que nos odeiam. E que não não hesitam em repeti-lo. Eu tive uma prova disso quando decidi aparecer nú numa cena do
«Um Belo Par... de Patins». As pessoas disseram as coisas mais horríveis e insultuosas, que eu tinha um corpo gordo e estúpido…

CD – O problema é que não podemos identificar ninguém, porque publicam de forma anónima o que não têm coragem de o dizer na cara ou identificados.

Costumam ser ativos nas redes sociais?
JS
– Eu parei com as redes sociais há algum tempo.

CD – Eu também. Reparem, suponham que temos um milhão de pessoas a seguir-nos que gosta mesmo de nós, e como temos de nos limitar àquele numero curto de caracteres, acabamos por não colocar aquela palavra que esclarece a situação toda. E de repente aquele milhão de pessoas que nos adorava agora acha que somos idiotas. Perceberam mal e temos de tentar remediar a situação e recuperar aquelas pessoas todas. Quantas vezes é que já enviámos uma mensagem por telemóvel a pessoas que conhecemos bem e que acabaram por geral mal-entendidos? Não dá para colocar ali a inflexão da voz.

JS – Vou dar um exemplo conciso. Eu estive no Twitter durante algum tempo. Eu adoro sanduiches e uma vez, a meio da noite, comi uma sanduiche deliciosa, fui ao Twitter e disse «as sanduiches têm mais variedade que os burritos». E aquilo incendiou a internet, gerou-se um debate furioso e completamente louco, com gente a insultar-me de todas as maneiras e de forma violenta. Eu ainda me defendi, a dizer «eu também adoro burritos, basta olhar para o meu corpo», mas não adiantou. Isso fez-me sair do twitter.

Esse lado de exposição é pior para as atrizes que para os atores? A personagem da Cameron diz no filme que ela sofreria muito mais consequências pela revelação da «sex tape» do que ele…
CD –
Sim, é verdade. É muito pior para as mulheres, somo sempre julgadas pela aparência.

JS - Eu acho que há uma diferença curiosa entre os homens e as mulheres nesse ponto. As mulheres olham-se ao espelho e podem ser brutais com elas próprias, com a mais minúscula coisa. Mas quando os homens se olham ao espelho, mesmo os menos favorecidos, pensam «muito bem, estou em boa forma» (risos).

Foi difícil fazer as cenas mais íntimas?
JS –
Acho que foi mais fácil porque já nos conhecíamos bem quando começámos a fazer o filme.

CD – Sim, e sentíamos confiança um com o outro. Isso ajudou. Mas toda a gente sabe que a rodagem de uma cena de sexo íntima é tudo menos sexy e intima (risos).

JS - Há imensa coreografia e gente a ver com olhar aborrecido...

CD - Usámos um pouco aquela mentalidade da multidão, em que um diz para avançar e os outros alinham. Só que neste caso a multidão eram apenas três pessoas: eu, o Jason e o realizador, o Jake Kasdan. Dizíamos: «isto é divertido, e se é divertido para nós, há de ser para as outras pessoas». Claro que houve coisas que acabámos por não fazer, mas se sentíssemos que tinha graça, avançávamos. Não optámos tanto por coisas chocantes ou abertamente sexuais mas mais por coisas que são embaraçosas, que muita gente não exporia daquela maneira. Portanto não travámos nem recuámos: fizemos um filme chamado «Sex Tape» e não defraudámos o título.

Como é que um americano verá o «Sex Tape»? O filme é forte para os mais puritanos padrões americanos...
CD –
Acho que vão gostar, acho que hoje em dia já se aceitam mais as comédias arrojadas nos EUA. Esta é a nossa variação sobre as comédias mais fortes que hoje se fazem, não é
«A Ressaca» nem
«A Melhor Despedida de Solteira», é o nosso sabor desse tipo de comédias. Mas acho que se encaixa na actual temperatura do humor nos EUA.

JS – Acho que para mim, enquanto argumentista e actor, decidi muito cedo que ser agradável não bastava. Que o público merece mais que isso. E uma das coisas que considero frustrante nas comédias românticas é que se juntam dois atores porque tiveram filmes de sucesso no ano anterior, cria-se um artificio do estilo «ele é um cientista, mas ela odeia ciência» (risos), e depois desenvolve-se uma coisa agradável durante uma hora e meia. E acho isso condescendente para o público, que merece mais e aceita mais. Devemos sempre tentar ver qual é o limite da comédia, é aí que as coisas ficam mais interessantes.

As comédias para adultos são mais divertidas?
CD –
Não necessariamente.

JS – Também acho que não. Eu adoro uma boa comédia familiar. Os Marretas são para toda a gente e eu sempre adorei os Marretas. Eles eram os Monty Python para as crianças, foram o primeiro contacto com a comédia de muita gente. E apesar dos Marretas nunca terem pisado esse território picante, eles faziam-nos sempre sentir que tinham transgredido, sem realmente o fazer. Era espantoso.

Não perca amanhã a entrevista do SAPO Cinema a Rob Lowe, um dos atores do filme «Sex Tape» e a figura pública que mediatizou o conceito nos anos 80.

O SAPO Cinema viajou a convite da Sony Pictures Portugal