O crítico de cinema Jorge Leitão Ramos considerou hoje que o ator norte-americano Robin Williams, que morreu na segunda-feira, era “especial”, um homem da comédia e um “intérprete extraordinário” que dominava por completo os filmes onde entrava.

O ator norte-americano Robin Williams morreu na segunda-feira, aos 63 anos de idade, aparentemente vítima de suicídio por asfixia, anunciaram as autoridades do condado de Marin, na Califórnia.

Em declarações hoje à agência Lusa, o crítico de cinema Jorge Leitão Ramos disse que Robin Williams foi «um dos grandes comediantes» da segunda metade do século XX e princípio do século XXI. «Há uma série de anos que a carreira de Robin Williams não vinha a acertar com grandes filmes, mas ele era um ator muito especial. Mais do que um ator, era um homem de comédia e que tinha uma personalidade e uma forma de representar que dominava completamente os filmes onde entrava», salientou.

Na opinião de Jorge Leitão de Barros, as interpretações de Robin Williams eram «extraordinárias» e «agarravam» o filme. «Estou a lembrar-me de interpretações extraordinárias como a do travesti em «Mrs Doubtfire» («Papá para Sempre») em que ele fazia o papel de um homem que se disfarçava de mulher para ser empregada como ama dos seus próprios filhos porque lhe tinham tirado o direito de viver com eles», disse.

O crítico de cinema destacou também o papel «extraordinário» do ator norte-americano, no filme «O Clube dos Poetas Mortos», que, na sua opinião, marcou uma geração nos anos 1980/90. «Durante 10, 15 ou 20 anos todos os professores quiseram ser aquele professor de «O Clube dos Poetas Mortos» que conseguia arrastar os alunos para a transfiguração da vida deles», sublinhou.

Embora a carreira do ator norte-americano estivesse em «ligeira decadência» nos últimos anos, Robin Williams ainda «tinha muito para dar», salientou Jorge Leitão Ramos. «Ele era um homem que, para ator, era relativamente novo. Tinha 63 anos, não estava acabado e um grande ator nunca acaba. Mas, isto, às vezes, com cómicos, acontece este tipo de fenómenos e dou o exemplo de Jerry Lewis que acabou a sua carreira cedo e também era um homem que avassalava tudo», disse.

Jorge Leitão Ramos destacou ainda que Robin Williams teve também um papel importante como homem que fazia vozes. «Se eu tivesse que escolher uma voz para pôr na rádio, não poria a óbvia voz do «Good Morning Vietname», mas a do génio da lâmpada do Aladino, que é provavelmente uma das mais espantosas interpretações vocais que eu alguma vez vi no cinema», concluiu.