Vários vencedores de Óscares foram atraídos pelo próximo projeto de James Gray (dos filmes "Nós Controlamos a Noite", "A Emigrante" e "A Cidade Perdida de Z" e "Ad Astra"), que pega numa história familiar para retratar as desigualdades na sociedade americana.

Robert De Niro e Anne Hathaway vão juntar-se à anteriormente anunciada Cate Blanchett em "Armageddon Times", um retrato da juventude de Gray em 1980 no bairro de Queens, em Nova Iorque.

Oscar Isaac e o veterano Donald Sutherland são os outros nomes confirmados no projeto que o realizador espera começar a filmar na cidade americana quando a situação pós-COVID-19 o permitir.

As primeiras notícias destacavam que a história se passava num estabelecimento de ensino privado que frequentaram tanto James Gray como Donald Trump, mas o realizador esclareceu que a inspiração veio das suas memórias de infância e entrada na adolescênciae aborda a amizade e lealdade numa América que se preparava para eleger Ronald Reagan como Presidente em 1980.

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Gray revelou que partiu de uma situação pessoal e familiar muito específica para chegar a algo que tem ressonância universal: a decisão dos seus pais em transferi-lo de uma escola pública para uma privada após se meter em sarilhos aos 11 anos fez toda a diferença para o seu futuro, mas também afetou um amigo que não teve a mesma sorte.

"Trata-se dessa transição e como ela reflete o que era a sociedade americana e infelizmente ainda é. Como estamos separados em termos de classe e etnicidade", explicou ao Deadline Hollywood.

Referindo-se às manifestações raciais e sociais que agitam a sociedade americana e extravasaram as suas fronteiras, recordou o impacto da mudança de escola: "O mundo realmente ficou claramente dividido para mim, com base nos que têm e nos que não têm. Não escrevi o argumento na semana passada, mas há alguns meses e é estranho que muito do que estamos a ver agora parta de muitos dos temas que tinha a ambição de explorar em primeiro lugar. Esta obsessão que tenho de analisar as ideias americanas de mobilidade de classes, fazê-lo num contexto que é humano com impacto social".

"Os meus pais, que enquanto membros da classe trabalhadora não eram de todo ricos, usaram todas as influências que conseguiram para poder ir para esta escola. O que simultaneamente salvou a minha vida, mas também me despertou para o verdadeiro racismo e anti-semitismo", refletiu.

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