Halle Berry fez história quando se tornou a primeira afro-americana a ganhar o Óscar de Melhor Atriz.

Foi na cerimónia de 2002 pelo filme "Monster's Ball - Depois do Ódio".

O seu discurso emocional continua a ser considerado um dos mais memoráveis: "Este momento é muito maior do que eu. Este momento é para Dorothy Dandridge, Lena Horne, Diahann Carroll. É para as mulheres que estão ao meu lado: Jada Pinkett, Angela Bassett, Vivica Fox. E é para cada mulher de cor sem cara, sem nome, que agora têm uma oportunidade porque esta porta foi aberta esta noite".

Quase 20 anos mais tarde, Halle Berry continua a ser a única afro-americana a ganhar a estatueta de Melhor Atriz.

"Pensei que a Cynthia [Erivo, nomeada por "Harriet", sem estreia nos cinemas portugueses] ia consegui-lo da última vez. Pensei que a Ruth [Negga, nomeada por "Loving" em 2016] também tinha realmente uma boa hipótese. Achei que havia mulheres que, legitimamente, sem dúvida, poderiam, deveriam ter. Esperava que conseguissem, mas não tenho a resposta para não ter acontecido", explicou numa entrevista à publicação especializada Variety.

Por isso, a atriz mantém-se dividida sobre o que representou a sua vitória.

"É um dos meus maiores desgostos. Na manhã a seguir, pensei, 'Uau, fui escolhida para abrir uma porta'. E depois, não ter ninguém... pergunto-me, 'Aquilo foi um momento importante ou só foi um momento importante para mim?' Queria acreditar que era muito maior do que eu. Parecia muito maior do que eu, principalmente porque sabia que outras deviam ter estado lá antes de mim e não estiveram", recordou.

Halle Berry comentou que não foi exatamente cercada por propostas após os Óscares.

No mesmo ano em que ganhou, teve um grande sucesso como a espia Jinx em "007 - Morre Noutro Dia", mas os produtores da saga não conseguiram avançar com um projeto à volta da sua personagem. E em 2004, tudo ficou mais difícil com o seu falhanço em "Catwoman". E depois, mais nada...

"Acho que é principalmente porque não havia um espaço para alguém como eu. Pensei 'Todos estes grandes argumentos vão aparecer-me à frente; estes grandes realizadores vão bater à minha porta'. Não aconteceu. Na verdade, ficou um bocado mais difícil. Chamam-lhe a 'maldição dos Óscares'. É suposto apresentar interpretações dignas de prémios", explicou.

Olhando para trás, Halle Berry diz que foi ingénua ao pensar que uma estatueta ia mudar o que quer que fosse.

"Só porque ganhei um prémio não significa que, magicamente, no dia a seguir, havia um lugar para mim", assume.

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