É uma das maiores joias da coroa da Disney e foi, durante muito tempo, o filme de animação com mais sucesso da história do cinema.

"O Rei Leão" estreou há precisamente 25 anos e tem agora uma nova versão recriada com a mais moderna tecnologia, que se estreia esta semana nos cinemas portugueses. Mas, no início do projecto, cerca de seis anos antes, muito poucos previam um desfecho tão espetacular para um filme com uma produção com tantas reviravoltas.

Tudo começou em 1988, ainda antes da estreia de “A Pequena Sereia” e “A Bela e o Monstro”, cujo sucesso esmagador daria o pontapé de saída à nova idade de ouro do cinema de animação norte-americano.  A ideia de fazer um filme em África surgiu durante a promoção na Europa de “Oliver e seus Companheiros”, cujo realizador George Scribner seria o responsável pelo projeto.

A primeira versão do argumento tinha por título “King of the Calahari”, mudando depois, com a chegada de outros argumentistas, para “King of the Beasts” e “King of the Jungle”. Nesta altura, o confronto fazia-se entre leões e babuínos, com Simba como um leão preguiçoso e Scar como líder dos babuínos que quer que aquele nunca chegue a rei.

A ideia era fazer um filme quase em registo documental, ao estilo de “Bambi” e dos documentários da “National Geographic”, mas nada estava a funcionar como era devido e o desenvolvimento estava a prolongar-se sem destino definido.

Entretanto, Roger Allers, o principal argumentista de “A Bela e o Monstro”, juntou-se a Scribner como realizador, e este último acabou por deixar o projeto quando se decidiu mudar de rumo e tornar o filme num musical, sendo substituído po Rob Minkoff. À equipa juntou-se como produtor Don Hahn, que ocupara essa função em “A Bela e o Monstro” e fora produtor associado de “Quem Tramou Roger Rabbit”.

Juntamente com Brenda Chapman, Kirk Wise e Gary Trousdale, a primeira argumentista de “A Bela e o Monstro”, que o segundo e o terceiro realizaram, e cuja produção tinha acabado de terminar, a equipa redefiniu completamente o argumento para a sua forma final: o tema agora era o de deixar a infância para trás e assumir as responsabilidades da idade adulta, com Scar a passar a ser tio de Simba, o título a mudar para “O Rei Leão” e a inspiração a vir diretamente do “Hamlet”, de William Shakespeare.

Mudança de rumo

A história passou então a centrar-se em Simba, o leãozinho filho de Mufasa, líder da alcateia e que sonha ser rei sem a noção do que isso acarreta. Quando o seu tio Scar lhe assassina o pai para assumir o trono, o pequeno Simba é desterrado e opta por uma vida sem preocupações, ao lado do suricata Timon e do javali Pumbaa, até, já adulto, ser chamado de volta às suas responsabilidades.

Durante este processo, e no período de sucesso sempre crescente das longas-metragens Disney, os animadores de topo do estúdio tinham pouca fé neste projeto de desenvolvimento tão conturbado e muitos preferiram trabalhar noutro filme em desenvolvimento ao mesmo tempo, e com um perfil muito mais artístico: “Pocahontas”, a partir da história da princesa índia e que seria o primeiro filme animado da casa a não ter o final feliz mais tradicional. Ainda assim, os que ficaram eram estrelas de topo, nomeadamente Andreas Deja, que assegurou a animação de Scar.

Para acrescentar dificuldade à produção, que obrigou os animadores a estudarem o movimento específico dos animais para lhes poderem dar vida, na reta final o terramoto que atingiu Los Angeles, em janeiro de 1994, obrigou ao encerramento temporário do estúdio e os animadores terminaram o trabalho em casa.

Os sons da selva

Entretanto, Tim Rice, o letrista que tinha trabalhado em “Aladdin”, entrou para trabalhar as canções e sugeriu o nome de Elton John para compositor, que se juntou a Hans Zimmer, que assinaria a majestosa partitura musical. O elenco de canções incluiu clássicos imediatos como “Circle of Life”, “I Can´t Wait to be King”, “Hakuna Matata” e “Can you Feel the Love Tonight”.

Após o sucesso fulgurante da colaboração de Robin Williams como a voz de “Aladdin”, a Disney aumentou a parada e fez pela primeira vez algo que se tornaria doravante habitual em muitas produções animadas: rechear o elenco inteiro de vozes de estrelas de cinema.

Assim, Jeremy Irons deu voz a Scar, James Earl Jones a Mufasa, Matthew Broderick ao Simba adulto, Rowan Atkinson ao calau Zazu, Nathan Lane a Timon, Robert Guillaume o babuíno Rafiki e Whoopi Goldberg à hiena Shenzi.

Com o filme a entrar em velocidade de cruzeiro e com as fitas anteriores da Disney a revelarem-se sucessos de bilheteira cada vez mais colossais (“A Pequena Sereia”, “A Bela e o Monstro” e “Aladdin” foram sendo, sucessivamente, os maiores sucessos animados de sempre), a expectativa em redor de “O Rei Leão” começou a aumentar, ainda por cima quando o primeiro teste de visionamento deu resultados absolutamente inéditos em termos de entusiasmo da audiência.

Munidos de grande confiança, o primeiro trailer do filme não optou pela montagem de imagens habitual, mas era constituído apenas por toda a sequência de abertura da película, o poderosíssimo número musical “The Circle of Life”, com o batizado do protagonista.

Um êxito esmagador

Quando "O Rei Leão" chegou às salas de cinema, em junho de 1994, tornou-se um sucesso descomunal, sendo não só o maior sucesso animado de todos os tempos como o segundo maior sucesso de bilheteira de sempre, a seguir a “Parque Jurássico”, estreado um ano antes.

E se nas bilheteiras faturou mais de 750 milhões de dólares, só em "merchandising" a receita foi ainda maior, de quase mil milhões. A banda sonora foi também um "best-seller" esmagador, com mais de 10 milhões de cópias vendidas.

No ano seguinte, quando foi lançado em VHS, tornou-se o filme mais vendido de sempre naquele formato, com 4,5 milhões de cópias a voarem dos escaparates só no primeiro dia.

A crítica também foi unânime em reconhecer os méritos do filme, que conquistaria os Óscares para Melhor Banda Sonora Original, para Zimmer, e Melhor Canção, para Rice e Elton John, por “Can You Feel the Love Tonight”, conquistando ainda os Globos de Ouro de Melhor Banda Sonora e, principalmente, Melhor Filme – Comédia ou Musical.

“O Rei Leão” tornou-se então uma das joias da coroa da Disney, com duas sequelas lançadas diretamente em vídeo, duas séries televisivas (uma delas focada em Timon e Pumbaa), uma reposição em IMAX em 2002 e um novo regresso às salas de cinema em 2011 com uma conversão ao novo formato de três dimensões.

Mais importante foi a espetacular versão teatral encenada por Julie Taymor que, estreada em 1997, se tornou um dos sucessos mais lendários das últimas décadas, com mais de 100 milhões de espectadores até à data e nada menos que seis prémios Tony, incluindo o de Melhor Musical.

Agora, 25 anos depois da estreia, “O Rei Leão” está de volta às salas, mas em animação foto-realista, num filme realizado por Jon Favreau, que já tinha conseguido resultados espectaculares com “O Livro da Selva”.

Desta vez, o elenco vocal volta a ser de luxo, mantendo-se apenas do original o nome de James Earl Jones como Mufasa, a que se juntam Donald Glover como Simba, Chiwetel Ejiofor como Scar, Seth Rogen como Pumbaa, John Oliver como Zazu, Alfre Woodward como Sarabi, e principalmente Beyoncé Knowles-Carter como Nala, que cantará uma nova versão de “Can You Feel the Love Tonight”.

Elton John e Tim Rice compuseram uma nova canção para o filme, “Never Too Late”, que o primeiro cantará no genérico final.

O novo filme já chegou aos cinemas portugueses.

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