A família de
Peter Falk confirmou à CBS que o ator faleceu na noite de ontem, 23 de Junho, aos 83 anos, embora a causa da morte não tenha ainda sido divulgada. Sabe-se, contudo, que em 2007 fora diagnosticado ao ator a doença de Alzheimer, na sequência de uma série de operações dentárias, após as quais o intérprete rapidamente foi vítima de demência e perda de memória, situação eventualmente agravada pela anestesia.

Peter Falk nasceu em Nova Iorque em 1927 e logo aos três anos perdeu o olho direito devido a um tumor maligno. O olho de vidro que usou desde então conferiu-lhe um olhar peculiar, que se tornaria imagem de marca quando atingiu a popularidade máxima na década de 70 e 80.

Mas a estreia de Falk nas artes de palco dar-se-ia muito antes, aos 12 anos, em 1939, numa produção escolar da peça «The Pirates of Penzance». A carreira a sério começou nos anos 50, após uma passagem pela Marinha Mercante e uma licenciatura em Administração Pública, com presenças cada vez mais relevantes nos palcos de Nova Iorque e nas mais diversas séries televisivas.

O cinema chegou em 1958 como secundário em
«A Floresta Interdita», de
Nicholas Ray, após ter sido rejeitado num «casting» da Columbia Pictures em que o dirigente máximo do estúdio, Harry Cohn, terá dito «Pelo mesmo preço consigo contratar um ator com dois olhos».

O verdadeiro ponto de viragem na sua carreira ocorreu em 1960 com o filme
«O Sindicato do Crime», com a interpretação furiosa do assassino Abe Reles a valer-lhe uma primeira nomeação ao Óscar de Melhor Ator Secundário. No ano seguinte receberia a segunda e última nomeação ao mesmo troféu pelo último filme de
Frank Capra,
«Milagre por Um Dia».

Os papéis na televisão prosseguiram (em séries como
«Dr. Kildare»,
«A Quinta Dimensão»,
«Alfred Hitchcock Apresenta»,
«Os Intocáveis») Mas o cinema continuava a dar-lhe as prestações que, embora secundárias, mais ficavam nos olhos do público, em fitas como
«O Mundo Maluco» (1963),
«Os 7 Ladrões da Cidade» (1964),
«A Grande Corrida à Volta do Mundo» (1965) e
«A Batalha de Anzio» (1968).

Em 1968, Falk interpretou pela primeira vez a personagem que lhe garantiria a imortalidade, o inspetor Columbo, no telefilme «Prescription Murder». A conversão para série deu-se em 1971, com o episódio-piloto a ser assinado por um ainda muito jovem
Steven Spielberg.
«Columbo» duraria até 1978 e tornar-se-ia excecionalmente popular, invertendo a lógica habitual das séries policiais e de mistério em que o assassino só era revelado no fim: aqui, o criminoso era conhecido desde o início e o desmazelado detetive acabava por impressionar toda a gente ao explicar como é que afinal tudo se passara. Falk nunca se viu livre da personagem, à qual regressaria de forma corrente numa série de telefilmes entre 1989 e 2003.

A década de 70 foi também a mais afortunada de Falk em termos de cinema. Não só teve as suas prestações mais elogiadas, nos filmes em que foi dirigido pelo seu amigo
John Cassavetes (
«Maridos», de 1970, e
«Uma Mulher Sob Influência», de 1974, além do «cameo» de
«Noite de Estreia», de 1977), como participou em sucessos como
«Um Cadáver de Sobremesa» (1976),
«Jogo Mortal» (1976),
«6 Mulheres para um Detective» (1979, baseado na peça de
Neil Simon),
«Por Favor, Não Matem o Dentista» (1979) e
«As Bonecas da California» (1981).

A partir da década de 80, embora continuasse ativo no teatro, apareceria mais pontualmente no cinema, em papéis secundários como
«A Princesa Prometida» ou principais em filmes sem grande sucesso como
«A Grande Burla» (1986, novamente de Cassavetes),
«Feliz Ano Novo»(1986) ou
«Cookie» (1989). Mesmo assim, a sua coroa de glória nessa década foi aparecer, a fazer o seu próprio papel, no incontornável
«As Asas do Desejo» (1987), de
Wim Wenders.

A partir daí, abrandou o ritmo e foi fazendo apenas papéis de prestígio em televisão e cinema. A última vez que esteve presente nos ecrãs portugueses foi ao lado de
Nicolas Cage, no «thriller»
«Next - Sem Alternativa».

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