Adam Lambert descreveu como "ridículo" que as personagens homossexuais apenas possam ser interpretadas por atores com essa orientação sexual.

No entanto, gostaria que, por uma vez, fosse esse o caso quando está em causa um ícone gay como George Michael, depois de ver os atores heterossexuais Rami Malek como Freddie Mercury em "Bohemian Rhapsody" e Taron Egerton como Elton John em "Rocketman".

Foi assim que o músico e atual vocalista dos Queen esclareceu um primeiro comentário que se tornou viral sobre a possibilidade de Theo James ("Divergente", "The White Lotus") interpretar no cinema a vida o cantor e fundador dos Wham!, falecido no dia de Natal de 2016.

O "casting" continua a ser um rumor e começou quando o ator britânico respondeu afirmativamente e com visível entusiasmo à pergunta se gostaria de ser George Michael durante uma participação a 12 de janeiro no programa "Watch What Happens Live with Andy Cohen".

Três dias depois, o tabloide The Daily Mail indicava uma fonte ligada ao projeto: "O argumento está na fase final e os produtores estão à procura do seu protagonista. O nome do Theo está na boca de toda a gente. Seria perfeito para o papel. Esta é a história do George, com os defeitos e tudo".

A 18 de janeiro, Lambert acabou por reagir com "Viva, outro homem heterossexual a interpretar um ícone gay" em resposta a uma publicação nas redes sociais sobre esse rumor da publicação "The Advocate".

Na última sexta-feira, o cantor explicou o que queria dizer quando questionado diretamente sobre o tema pela publicação Variety no Festival de Cinema de Sundance, onde estava a promover um filme onde participa como ator, "Fairyland", com Sofia Coppola entre os produtores, sobre uma adolescente cujo pai assumiu a sua homossexualidade, papel de Scoot McNairy.

"O meu comentário concreto – o meu pequeno comentário sarcástico sobre isso – era sobre um ator heterossexual a interpretar um ícone gay, o que acho que é um pouco diferente. Não penso de todo que personagens gay apenas devam ser interpretadas por atores gay. Acho que isso seria ridículo", esclareceu.

"Exemplo concreto: a brilhante interpretação do Scoot neste filme, que é incrivelmente comovente e profunda. Não imagino mais ninguém a interpretar este papel", acrescentou.

E continuou: "Só acho que, enquanto pessoa queer, tantas portas nos foram fechadas durante tanto tempo, é um grande passo em frente que estas histórias pelo menos agora estejam a ser contadas. Mas espero que, no futuro, também seja possível ver um ator que se assumiu a ter um papel como protagonista. Não é algo que se tenha visto com frequência".

"Para os pessimistas que dizem, 'oh, é representar', e 'se for ao contrário, estás a dizer que os atores gay só devem interpretar personagens gay?', olhe-se para a Kristen Stewart a interpretar [a Princesa] Diana e também foi uma atuação brilhante, [mas] não temos muitos exemplos de pessoas queer a interpretar ícones não-queer. Só quero um pouco de igualdade de oportunidades, só isso", esclareceu.

Lambert ainda disse que tinha achado Rami Malek e Taron Egerton "brilhantes" como os ícones gay Freddie Mercury e Elton John.

"Mas... podemos ficar só com um?", concluiu a rir.

A ENTREVISTA.