"Black Panther" apresenta-se como um auto-contido, onde quase tudo se desenvolve à parte dos acontecimentos do Universo Cinematográfico da Marvel.

Narra a história de T´Challa (Chadwick Boseman), que após a morte do seu pai, o rei de Wakanda, ascende ao trono. Só que rapidamente terá de lidar com o traficante de armas e de vibranium Ulysses Klaue (Andy Serkis) e Erik Killmonger (Michael B. Jordan), um mercenário que não quer que Wakanda perca a sua essência e lutará ferozmente para defender os seus ideais.

O novo filme do universo MCU, que celebra agora 10 anos, começa num campo onde miúdos jogam basquetebol, recuperando a lembrança coletiva de um passado sofrido. De modo singelo, assume para si, enquanto obra cinematográfica "blockbuster", as implicações sociológicas e a mensagem que se propõe a defender.

Com memórias de um tempo de escravatura, colonialismo, Apartheid e violência de gangues, o realizador Ryan Clogger e o co-argumentista Joe Robert Cole, compõem um duelo à imagem de Martin Luther King vs Malcom X, onde a tensão da resistência não-violenta confronta a militante e a consciência social procura influenciar o individualismo e as acções intempestivas que irão definir o destino de uma nação.

Mas em vez de se recolher e reprimir, "Black Panther" exulta com energia e humor, uma excelência da cultura tribal e da história africana, com o "ensemble" de actores negros mais relevantes da actualidade, rodeado por uma equipa técnica que cria um estilo afro-futurista, com cores e texturas vibrantes.

Desde o guarda-roupa de Ruth Carter, que intimida com os uniformes do clã guerreiro feminino Dora Milaje, ou a sumptuosidade dos vestidos da alteza Angela Basset; passando pelo design de produção de Hannah Beachler, que nos cabelos e tatuagens detalha as raízes ancestrais que construíram uma cidade tecnologicamente imponente; e vive também nos "beats" da mensagem ativista de Kendrick Lamar, que reúne rappers emergentes a vozes sul africanas para cantar a corrupção judicial, a brutalidade e o racismo.

Esta celebração que constrói a nação Wakanda, as suas regiões e diferentes tribos, eleva-a a um patamar, que Asgard, dos filmes Thor, não atingiu. Mais palpável e distinta, é o segredo mais bem escondido do Universo Cinematográfico da Marvel. Mas esta textura e riqueza talvez tenha comprometido outros momentos, pois apesar de assentar na fórmula tradicional dos filmes de ação, "Black Panther" não acrescenta nada de novo nesse departamento, sentindo-se até que correu contra o tempo em algumas cenas de combate CGI.

Com um "cast" icónico, onde Angela Basset e Forest Whitaker apadrinham nomes como Lupita Nyong´o, Danai Gurira e Daniel Kaluuya, "Black Panther" é uma nova voz no universo Marvel, com um olhar político, celebração cultural e repleto de aventura.

"Black Panther": nos cinemas a 15 de fevereiro.

Crítica: Daniel Antero
Saiba mais no site do Cinemic.

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