Emotivo e recompensador, "Planeta dos Macacos: A Guerra" é o justo final no tríptico de César, o líder macaco que guiou a sua horde para a libertação, êxodo e salvação, durante a trilogia que revitalizou a obra sci fi de Pierre Boulle.

O filme abre numa floresta densa de folhagem e de militares. Nos capacetes destes, lemos as inscrições da chacina a que estão prontos para dar início: Monkey killer... Bedtime for Bonzo. E é então com um cenário de guerra intenso (que nos faz querer ver o realizador Matt Reeves à frente de um "Star Wars"), que se prepara o término da saga de César, quando, após perder muitos dos seus aliados, parte em busca do Coronel.

Reeves coloca neste filme um tom mítico, filmando grandiosas paisagens, com os macacos em cima de cavalos, levando a jornada introspectiva e o conflito moral pela imensidão da praia e o frio das montanhas, para se encontrar com figuras únicas de evolução e de esperança. Confrontando os seus instintos mais negros, César terá o seu último sacrifício.

Clássico e formulaico, "Planeta dos Macacos: A Guerra" mistura a aura do western e do épico histórico, com ecos do Vietname de "Apocalypse Now" e da aventura da II Guerra Mundial de "A Grande Evasão", explorando várias memórias cinematográficas e criando uma epopeia que nos é familiar onde já não questionamos nada: este universo simplesmente existe com as suas regras e estilo.

Como? Com a mestria técnica de um CGI extraordinário, “invisível”, concebido pela Weta Digital, que cria o rosto dos macacos sobre a autenticidade, graça, fúria e compaixão dos atores... onde Andy Serkis (César) é soberbo (a oportunidade única de desenvolver uma personagem desde a infância até um líder guerreiro, através do 'motion capture', coloca Serkis como um pioneiro)... e para além de todos os outros incríveis macacos, destacamos Steve Zhan como Bad Ape, um arrojo hilariante de movimentos e pantomima.

E também, com a força interior de duas figuras que se confrontam pela palavra, explicando as suas ações e os seus caminhos: de um lado, César, um líder militar que tem de lidar com a perda e a violência em si inerentes, mas com um propósito único de salvação... do outro o Coronel McCullough, uma fusão de Kilgore e Kurtz de "Apocalypse Now", interpretado por um sinistro e sádico Woody Harrelson, pronto para a devastação (a forma como Reeves trata estas duas personagens traz muito entusiasmo e expectativa para a sua próxima contenda, o filme sobre Batman).

O seu confronto é intenso e dá início a uma missão de salvamento próxima do filme "A Grande Evasão" que terminará com a natureza a definir a espécie mais forte.

"Planeta dos Macacos: A Guerra" é o fim da trilogia, mas deixa-nos a ansiar por mais. Com Andy Serkis a clamar por prémios só para o seu estilo de performance, fez com que Matt Reeves não se “escondesse”: percebendo que ultrapassaram uma barreira tecnológica, avançou para um 'blockbuster' de verão intenso que nos faz estar olhos nos olhos com a alma guerreira do macaco.

Autor: Daniel Antero

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